Bitcoin sobe 63% ante recuo de 9% do Ibovespa no ano. Há fôlego para mais?

Os investidores que não venderam seus bitcoins – nem mesmo quando eles caíram mais de 30% em um único dia, em 12 de março – devem estar satisfeitos com o rendimento de suas carteiras. Afinal, a criptomoeda acumula alta, em reais, de 63% no ano, ante uma queda de 9,8% do Ibovespa no mesmo período. Mas será que tem fôlego para subir mais?

O cenário não é claro, especialmente com a escalada das tensões entre as duas maiores economias do mundo. Na quarta-feira, 22, os americanos ordenaram o fechamento do consulado chinês em Houston, e agora o mundo aguarda uma possível retaliação da China. Com isso, o bitcoin é negociado em leve queda, de 0,04%, nesta quinta-feira, 23.

“Estamos observando um fenômeno novo: a baixa volatilidade do bitcoin”, afirma Fabrício Tota, diretor do Mercado Bitcoin. Parte da explicação para o sobe-e-desce mais comedido nos últimos meses tem a ver com o novo perfil de investidores. Saem de cena os mais ávidos por valorização para dar lugar a investidores que veem o ativo como uma reserva global e descentralizada, explica Tota.

Mesmo assim, trata-se de um investimento para investidores com apetite a risco e estômago para altos e baixos. A recomendação, portanto, é que represente cerca de 5% da carteira dos mais arrojados. “Grandes fundos de hedge começam a olhar para a criptomoeda, como o Renaissance [que tem 166 bilhões de dólares sob gestão], o que pode trazer novos investidores para o mercado.”

Pesquisa realizada pela fintech especializada no mercado de ativos digitais Bluebenx revela que os homens são a maioria (87,7%) entre os detentores de bitcoin. Já no que se refere à faixa etária, o entusiasmo é maior entre jovens de 25 a 34 anos (46,3%), seguido por pessoas de 35 a 44 anos (26,8%). Os grupos de 18 a 24 anos e de 45 a 54 tiveram igual interesse, de 10,3%.

No topo da lista de países que mais utilizaram o bitcoin no último ano, estão os Estados Unidos com o volume total de 1,44 bilhão de dólares, seguidos pela Rússia com 1,05 bilhão de dólares. O Brasil ocupa a 22ª colocação com 30 milhões de dólares movimentados de janeiro a dezembro de 2019. “Acredito que o mercado brasileiro crescerá nos próximos dois anos em volume de transações”, afirma Roberto Cardassi, presidente da Bluebenx.

É bom lembrar, porém, que há riscos especialmente se tratando de criptomoedas. “O maior deles é a regulamentação dos bancos centrais”, acrescenta Tota.

Fonte: Exame

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