De olho em aumento da demanda, exchange passa a listar token lastreado em ouro

O aumento da procura de investidores por ouro e aplicações a ele atreladas (leia mais) resvala na criptoeconomia: a exchange Mercado Bitcoin passa a listar na próxima segunda-feira (3 de agosto) o token PAX Gold (código de negociação PAXG), uma “stable coin” atrelada ao metal precioso.

“Stable coins”, ou moedas estáveis, são ativos digitais lastreados em ativos reais – na maior parte das vezes, criptos que reproduzem o valor de uma moeda fiduciária, como dólar, euro e real, ou de uma cesta delas. Tokens, por sua vez, são frações digitais de ativos reais, negociadas por meio da blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas, como o bitcoin.

E o ouro vem tendo altas nas cotações em bolsas por todo o mundo neste ano, como na brasileira (58% desde janeiro, os contratos futuros na B3) e na de Nova York (31%).

No caso da PAX Gold, a referência é a onça-troy (31,3035 gramas), usada no mercado internacional – na B3, o ouro é vendido a porções de gramas, e o contrato mais popular é o de 250 g.

Emitida em setembro de 2019 pela Paxos, uma das mais tradicionais empresas americanas de criptoativos (fundada em 2012 e famosa pela “stable coin” PAX, atrelada ao dólar), a cripto áurea se valorizou 29,02% desde então – no mesmo período, o bitcoin subiu 35%, para fins de comparação, e o Ibovespa ficou quase no zero a zero (queda de 0,69%).

“É o mesmo conceito da ‘stable coin’ lastreada em moeda fiduciária, mas aplicada a outro ativo. Para cada quantidade específica depositada de ouro, são emitidas novas unidades dos tokens”, explica Fabrício Tota, diretor da exchange Mercado Bitcoin.

A principal premissa do token é aproveitar a liquidez e o valor do ouro, tanto financeiro quanto físico e até sentimental, mas somando agilidade, segurança e acesso com o uso da blockchain, a cadeia de blocos, tecnologia que registra e valida transações com criptoativos – a aplicação inicial na PAX Gold deve ficar em torno de R$ 50, segundo o Mercado Bitcoin.

“Todo mundo diz ao investidor que deve investir em ouro, mas como se faz isso? Uma forma é aplicar em um fundo que compre contratos de ouro, seja o ativo financeiro ou o (derivativo) futuro. Trabalhei em uma corretora e lembro o pesadelo que era quando um cliente queria comprar ouro. É muita burocracia. Outras maneiras são ir direto na B3 e comprar um dos três contratos disponíveis, ou comprar o ouro físico, em barras. Agora, apresentamos uma quarta alternativa: adquirir esse ativo tokenizado”, explica Tota.

As vantagens da opção digital, ele diz, começam pelo custo: “Não tem a taxa de custódia que há nas opções anteriores, inclusive no fundo de investimento, que paga e repassa ao cotista. Também há maior fracionamento dos lotes, o que permite entrar a partir de R$ 50 e vai ampliar o acesso”.

Além disso, graças à rastreabilidade da blockchain, a PAX Gold permite ao comprador consultar o pedaço da barra de ouro que comprou. “Cito ainda a negociação 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem as restrições de horários dos pregões, e o fato de que é um ativo listado em diversas bolsas, o que melhora a formação de preço”, afirma Tota.

Ele vê também uma possível vantagem tributária: em eventual ganho de capital na venda de ouro ou de derivativos dele, afirma, o investidor tem isenção de até R$ 20 mil por mês, contra um teto isento mensal de R$ 35 mil nas operações com criptoativos.

A exchange afirma não trabalhar com uma meta de vendas do novo token, mas vê as perspectivas com otimismo.

“Pensamos na PAX Gold como um elemento para diversificar carteiras. O histórico recente é positivo: os dois 'utility tokens' mais recentes que listamos (WiBX e Chiliz) atraíram mais de 10 mil clientes em uma semana. Com esse token de ouro, temos uma oportunidade: as pessoas passaram a ver esse ativo como uma boa proteção contra a inflação das moedas fiduciárias”, diz o diretor do Mercado Bitcoin.

Fonte: Valor Investe

Post anteriorPróximo post