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Finanças descentralizadas: 0x (ZRX), Maker (MKR) e DAI, Curve (CRV)

01/06/2021

6 minutos 27 segundos de leitura

Finanças descentralizadas: 0x (ZRX), Maker (MKR) e DAI, Curve (CRV)

As finanças descentralizadas, ou DeFi, ganharam notoriedade em agosto de 2020, quando o volume de criptoativos depositados nestes aplicativos ultrapassou os 5 bilhões de dólares.

Antes de entrar em detalhes, é preciso deixar claro que estas aplicações existem dentro de blockchains, as redes descentralizadas. Portanto, toda a mecânica por trás dos contratos programáveis (smart contracts), funciona sem intermediador, ou possibilidade de censura.

As finanças descentralizadas (DeFi) permitem, por exemplo, trocas entre criptoativos, incluindo as stablecoins. Outros aplicativos combinam plataformas de empréstimo com algoritmos de formador de mercado (market maker) automatizado, buscando ganhos para os poupadores.

Em 11 de maio iniciamos a negociação de 7 criptoativos no segmento de Finanças Descentralizadas - DeFi. Por isso, aproveitamos para explicar no detalhe para que servem 0x (ZRX), Maker (MKR) e DAI, e Curve (CRV).

Aproveite para tirar suas dúvidas sobre Finanças Descentralizadas (DeFi) e sua importância nas criptomoedas.

0x (ZXR) - Conectando exchanges e provedores de liquidez

Exchanges descentralizadas (DEX) permitem que usuários façam trocas entre diferentes criptoativos diretamente de seu endereço no blockchain, sem intermediário. Um conjunto de contratos digitais programados, os smart contracts, coordena o mecanismo e assegura que ambos os lados saiam com o valor acordado.

No entanto, a liquidez desse sistema é muito fragmentada, pois os criptoativos depositados em determinada plataforma não podem ser utilizados diretamente em outras exchanges. 0x surgiu para resolver esse problema, criando uma rede de compartilhamento de ofertas de compra e venda entre diferentes exchanges descentralizadas.

Outra vantagem deste protocolo é que a atualização nas ofertas ocorre fora do blockchain de forma paralela, portanto não exige pagamento de taxas da rede. Já o registro das transações ocorre no blockchain, pois os participantes informam os endereços de envio e destino de cada troca efetuada.

Quem utiliza o 0x?

Na realidade, o ecossistema da 0x é mais amplo do que as exchanges, pois diversos formadores de mercado atuam como fornecedores de liquidez, bem como alguns aplicativos descentralizados e empresas de gestão, incluindo DeFi Saver, Zapper, Zerion, Prysm, e OctoFi.

O protocolo 0x fornece acesso ao livro de ofertas agregado através de API, uma interface padrão para envio de dados de forma automatizada. Dessa forma, integrar-se a rede é simples e não demanda nenhuma programação específica.

Matcha é uma DEX criada pela própria equipe da 0x que agrega a liquidez de diversas exchanges descentralizadas, incluindo Uniswap, Balancer, Bancor, e Oasis. Por último, o protocolo também atende marketplaces de itens digitais, incluindo NFTs.

Para que serve o token ZRX?

ZRX é o token de governança nativo da rede 0x, e dá direito a voto nas decisões do protocolo, além de dar direito ao stake, o depósito remunerado para fornecedores de liquidez. Os demais usuários podem delegar seus tokens em cooperativas (pools), recebendo assim uma fatia equivalente das taxas.

Ao contrário do stake das criptomoedas de Prova de Participação, na 0x a receita de trade só existe quando a cooperativa de liquidez é demandada, portanto, variável. Em suma, as taxas de trade coletadas na rede são distribuídas entre os provedores de liquidez.

Maker - o banco da stablecoin descentralizada

Maker funciona como um banco, recebendo Ether (ETH), Basic Attention Token (BAT), Wrapped Bitcoin (WBTC) e USD Coin (USDC), em troca de um token próprio, DAI, emitido de forma automática pelos smart contracts.

O banco ajusta suas cestas de liquidez de forma automática para buscar a cotação do DAI mais próxima de 1 dólar, e para isso cobra uma “taxa de estabilização" dos depósitos. Embora não exista uma taxa de juros na emissão do DAI, se o valor da cesta de criptoativos cair abaixo de certo patamar, eles são leiloados para cobrir o risco.

O token MKR funciona como um “garantidor” do sistema, pois no caso de uma perda grande nas cestas de criptoativos, novos tokens MKR são criados. Na situação oposta, quando os leilões de liquidação forçada das cestas geram um “excesso” de capitalização, este valor é utilizado para recomprar tokens MKR e retirá-los de circulação.

Como a stablecoin DAI mantém sua cotação?

Se a demanda de DAI excede o limite disponível, é necessário ajustar a taxa de remuneração, incentivando usuários a depositar novamente nas cestas de liquidez. O contrário ocorre quando existe uma baixa demanda pela stablecoin DAI, quando o sistema reduz os incentivos para depósitos, buscando um rebalanceamento.

Não existe uma garantia de que a stablecoin DAI vá seguir em 1 dólar para sempre, e o sistema trabalha com uma variação aceitável próximo da paridade. Arbitradores e donos de cestas de liquidez da Maker atuam por conta própria negociando o DAI em diferentes plataformas, buscando comprar onde está mais barato, por exemplo.

Como funciona a governança do Maker?

O conjunto de smart contracts que administra o protocolo é chamado de MakerDAO, sendo regido por votação dos detentores do token MKR. Somente quem possui tokens MKR tem acesso aos leilões de liquidação forçada de cestas de liquidez cujo valor se depreciou, por exemplo.

Além disso, as votações escolhem quais criptoativos podem ser aceitos pelo MakerDAO, qual a taxa de risco aceita, quem pode ou não ser facilitador, entre outros. No entanto, por ser “sócio” deste banco, os detentores do MKR são diluídos quando novos tokens são emitidos para compensar perdas no sistema.

Por último, a taxa de remuneração dos depósitos DAI no MakerDAO são definidas através de voto. O objetivo no futuro é tornar isso o mais automatizado possível.

Curve - Trocas entre criptoativos semelhantes

Uma das dores de cabeça do usuário de finanças descentralizadas (DeFi) é a troca entre criptoativos equiparáveis, por exemplo, DAI e USD Coin (USDC). De maneira similar, existem detentores de Bitcoin tokenizado que precisam trocar de wBTC para renBTC ou similar. Isso porque nem todas as plataformas aceitam as mesmas versões, embora os ativos sejam semelhantes.

O Curve foi criado para resolver esse problema, minimizando perdas entre essas trocas, e, ao mesmo tempo, buscando rentabilidade para os depositantes. A plataforma trabalha com o sistema de market maker automatizado (AAM), portanto o próprio sistema de smart contracts busca operações lucrativas em outros DeFis.

Curve compete com Uniswap e demais DEX?

O Curve, embora muito similar ao Uniswap, busca ganhar em volume, já que suas taxas são muito menores, cerca de 0.04% para stablecoins. Além disso, para os depositantes, não há risco de desbalanceamento, já que as moedas da cesta de liquidez são equivalentes e intercambiáveis.

Em suma, o Curve permite que usuários, e outros aplicativos DeFi, consigam fazer grandes trocas entre criptoativos semelhantes sem perdas.

CRV - o token de governança do Curve

É possível adquirir tokens CRV ou ganhá-los sendo provedor de liquidez nas cestas do protocolo. Os detentores do CRV votam nas mudanças do protocolo, incluindo taxas, ou novas cestas de liquidez.

Quanto mais tempo os tokens CRV estiverem depositados à prazo (stake), mais poder de voto ganham. Ou seja, deste modo incentiva uma rede realmente descentralizada, pois quem vota está comprometido com o projeto.

Parte das taxas de corretagem do Curve são utilizadas para queima (burn) de tokens CRV, reduzindo o total em circulação.

Tokens de governança têm risco?

Sim, pois além da variação da cotação que depende da oferta e demanda do mercado, as votações de projetos DeFi podem apresentar resultados inesperados. Mesmo uma medida inicialmente positiva, por exemplo, aumentar as taxas, pode resultar em perda de fluxo para um competidor.

São diversos os fatores de risco envolvendo o segmento de finanças descentralizadas (DeFi), incluindo dificuldade de se auditar estes smart contracts, além do risco no uso de oráculos externos para determinar cotações nas cestas de liquidez.

Não tenha dúvidas: as finanças descentralizadas vão continuar crescendo, basta olhar o valor depositado nestes protocolos, que já ultrapassa 90 bilhões de dólares. No entanto, a indústria é nascente, portanto sujeita a erros e competidores vorazes. Por esse motivo, recomendamos ao investidor começar pequeno, e só aumentar a posição quando tiver confiança.

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