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Ethereum 2.0 e a importância daquilo que não se vê

01/12/2020

7 minutos de leitura

Ethereum 2.0 e a importância daquilo que não se vê

Dia 01 de dezembro de 2020 será um dia marco para a tecnologia Blockchain. Será gerado o bloco genesis da fase zero da atualização do Ethereum que mudará algumas de suas características: Proof-of-Stake ao invés de Proof-of-Work, shardings ao invés de um único banco de dados e outras novidades para permitir mais processamento de transações e garantir o aumento da capacidade de armazenamento.

Porém os Smart Contracts continuarão com suas características sendo possível processar ainda mais transações, tokenizar mais e reduzir custos beneficiando assim os usuários da rede.

Nesta fase zero o que será implementado será a mudança de algoritmo de consenso de Proof-of-Stake, ou poderíamos chamar de Prova de Depósito.

O que é Proof-of-Stake?

Segundo a Consensys, o Proof of Stake é um tipo diferente de mecanismo de consenso que os blockchains podem usar para concordar sobre um único registro verdadeiro do histórico de dados.

Enquanto em Proof of Work, Prova de Trabalho ou simplesmente PoW os mineradores gastam energia (eletricidade) para criar blocos de mineração, em PoS os validadores comprometem seu depósito para atestar (ou "validar") os blocos.

Os validadores são os participantes da rede que executam nós (chamados de nós validadores que na prática com servidores com um software cliente que implementa as regras definidas pelo protocolo do Ethereum) para propor e atestar blocos em um blockchain PoS.

Esse processo é efetuado colocando a criptomoeda como garantia na rede (no caso do Ethereum 2.0 são ethers) e se disponibilizando para serem selecionados aleatoriamente para propor um bloco.

Outros validadores então “atestam” que viram o bloco. Quando um número suficiente de atestados para o bloco for coletado, o bloco será adicionado ao blockchain. Os validadores recebem recompensas por propor blocos com sucesso (assim como fazem no PoW) e por fazer atestados sobre os blocos que viram.

Os incentivos criptoeconômicos para PoS são projetados para criar recompensas mais atraentes para o comportamento adequado e penalidades mais severas para o comportamento malicioso.

O principal incentivo criptoeconômico se resume ao requisito de que os validadores sua própria criptomoeda — ou seja, dinheiro — na rede. Em vez de considerar o custo secundário da eletricidade para operar um nó PoW, os validadores em cadeias de PoS são forçados a depositar diretamente uma quantia monetária significativa na rede.

Se um validador tentar atacar ou comprometer o blockchain ao tentar propor um novo conjunto histórico de dados, um mecanismo de penalidade diferente entra em ação: uma parte substancial do valor depositado e colocado em garantia será reduzido (possivelmente até o valor total depositado) e eles serão ejetados da rede.

O resultado é um risco financeiro enorme de um ataque mal sucedido por um validador. Para fazer uma analogia com PoW, seria como se um minerador que falhou em um ataque a um blockchain de PoW fosse forçado a queimar toda a sua plataforma de mineração ao invés de apenas consumir o custo da eletricidade que gastou em um ataque falho. Além disso, essa arquitetura coloca a segurança da rede diretamente nas mãos de quem mantém a rede e mantém sua criptomoeda nativa no próprio protocolo.

Características do PoS

O Proof of Stake aborda três questões cruciais a um Blockchain, acompanhe:

Centralização

Com a redução das barreiras à entrada e a eliminação de preocupações sobre como minimizar os custos de eletricidade, as redes PoS são significativamente mais descentralizadas no nível do nó do que as redes PoW. A participação em um Blockchain requer apenas uma quantidade X de criptomoeda, uma conexão com a Internet e um computador.

Isso abre as portas de participação e geração de receita para um grupo muito maior de pessoas. Além disso, o custo de escala são muito mais baixas no formato de PoS do que em PoW.

Em sistemas PoW, quanto mais potência de hash um minerador controlasse, maior será a % de recompensas que ele poderia receber. Em PoS, a % de retorno de um validador permanece constante se ele gerencia 1 nó ou 1.000.

Escalabilidade

A prova de depósito sozinho não melhora a escalabilidade. No entanto, as arquiteturas PoS permitem a implementação de uma solução de escalabilidade conhecida como sharding sem reduzir a segurança.

Sharding é um mecanismo de escalonamento de banco de dados no qual um blockchain é particionado em várias cadeias de shard, cada uma das quais capaz de processar blocos. Isso evita que todo o blockchain precise processar cada bloco simultaneamente e, em vez disso, permite que vários blocos (e, em outras palavras, mais conjuntos de dados) sejam processados de uma vez.

Com o Ethereum 2.0, por exemplo, a fragmentação irá particionar o blockchain em 64 cadeias de shard separadas, o que significa que a rede processará transações a no mínimo 64x a velocidade da transação da cadeia PoW original.

Acessibilidade

Os blockchains de Proof-of-Stake não exigem que os validadores se preocupem com os custos iniciais de hardware ou prestem atenção às tarifas de eletricidade da mesma forma que os mineradores em cadeias PoW. É, portanto, uma barreira de entrada significativamente menor para um indivíduo executar um nó validador em uma cadeia PoS do que executar um nó de mineração em uma cadeia PoW.

Existe, no entanto, uma barreira notável para a entrada acessível de PoS. Os validadores devem apostar uma quantidade mínima de criptografia para executar um nó validador completo. Para Ethereum 2.0, por exemplo, esse valor é de 32 ETH (R$ 90.560,00 no momento da redação).

Para muitos, essa é uma quantia significativa de dinheiro e um impedimento para a participação ativa. Da mesma forma que as cadeias PoW têm pools de mineração, no entanto, haverá pools de staking que agregam os fundos dos participantes que não podem ou não querem participar de 32 ETH. O pool fará uma aposta em seu nome e eles receberão recompensas como uma porcentagem de sua aposta.

Em redes PoW, a fragmentação ajudaria na escalabilidade, mas teria um impacto na segurança da rede. Dividir uma rede PoW em cadeias de shard significa que cada cadeia exigiria menos poder de hash para ser comprometida.

As cadeias PoS, entretanto, “sabem” quem são os validadores da rede (mais especificamente, há um endereço anexado a cada depósito e, portanto, a cada nó validador).

Por meio de um algoritmo comprovadamente aleatório, portanto, as cadeias de PoS podem garantir que os validadores escolhidos para validar blocos em diferentes cadeias sejam aleatórios, efetivamente eliminando estatisticamente a chance de que um validador controle estaca suficiente para comprometer os dados em um bloco. Enquanto o PoW requer a troca de segurança para obter escalabilidade, as redes PoS podem alcançar ambos por meio de fragmentação.

Ethereum 2.0

No dia 24 de novembro de 2020 foi alcançado o valor mínimo de depósitos no Smart Contract que gerenciará os validadores e assim chegou-se no número de validadores necessários para a nova versão do Ethereum.

Outra marca importante também foi atingida: a versão 1.0 do Prysm, um dos softwares para servidores clientes que serão de fato os pilares dessa nova etapa do Ethereum.

Poucos investidores e usuários sabem da existência desses softwares. Contudo, são eles que processam as transações, armazenam essas informações em banco de dados e compartilham essas informações via Internet com outros softwares clientes. Fazem isso seguindo as especificações pois o Ethereum, em si, é só um protocolo, um conjunto de regras.

O Blockchain na verdade são esses softwares funcionando de maneira conjunta e coordenada.

E tal qual na versão atual, o Ethereum 2.0 é aberto. Qualquer um pode se tornar um validador e receber um retorno financeiro por prestar esse serviço ao Ethereum. Mariano Conti é um exemplo de uma pessoa física que decidiu apostar neste novo negócio.

Nessa semana fizemos uma breve entrevista com Preston von Loon do time de desenvolvimento do Prysm. Falando de Los Angeles, EUA ele compartilhou conosco um pouco como será o funcionamento desta nova versão do Ethereum. Confira:

A Tokenização de ativos será ainda mais próspera nesta nova versão do Ethereum quando todas as fases forem implementadas.

Dessa forma, mesmo que você esteja apenas inciando suas negociações ou já seja expert em Blockchain saiba desses profissionais, entenda sobre o Ethereum e esteja atento para as novidades. Com informações você poderá decidir onde alocar seu tempo e recursos.

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