Educação

Existe diferença entre Bitcoin e Bitcoin Cash? Veja aqui!

09/04/2021

7 minutos de leitura

Existe diferença entre Bitcoin e Bitcoin Cash? Veja aqui!

Pode parecer simples clonar o Bitcoin, afinal, seu software é de uso livre e código-aberto. Por que pagar milhares de dólares se qualquer um pode criar uma criptomoeda quase idêntica, com características até mais atrativas, incluindo transações mais rápidas ou baratas?

Foi a partir dessa ideia que nasceu o Bitcoin Cash (BCH), também conhecido como BCash. Descontentes com o desenvolvimento do Bitcoin, alguns programadores e mineradores resolveram criar uma cópia.

Para facilitar a adoção, quem tinha 1 BTC recebeu sem custo 1 BCH, automaticamente. De fato, fizeram algumas mudanças que consideravam benéficas, por exemplo, aumentar o limite dos blocos. Isso permite mais transações na rede.

No entanto, por motivos que vamos discutir adiante, a adoção e crescimento do ecossistema desapontou. Entre março de 2018 e 2021, sua cotação desabou 93% ante o Bitcoin.

Afinal, quais as diferenças entre Bitcoin e Bitcoin Cash (BCH), e o que pode acontecer para causar a alta da criptomoeda? Acompanhe com o Mercado Bitcoin!

O que é Bitcoin?

O Bitcoin é uma tecnologia digital que permite realizar transferências de valor de forma rápida, barata, e sem intermediários. Qualquer pessoa pode ingressar na rede, validar transações, realizar transferências, e realizar a própria custódia (guarda) de seus valores.

Bitcoin é um criptoativo, um bem digital que só existe dentro de um banco de dados. O termo cripto é utilizado para determinar a utilização da criptografia, os algoritmos responsáveis pelo armazenamento das seeds, ou senhas.

Acompanhe este outro artigo que explica se ainda vale investir em Bitcoin após a forte alta no último ano.

O que é Bitcoin Cash?

Após 2015, um grupo dentro da comunidade Bitcoin passou a defender o aumento da capacidade nos blocos minerados, esperando reduzir o gargalo em momentos de grande utilização da rede. No entanto, fracassaram as tentativas de lançar um clone que iria aumentar o tamanho do bloco para 2 megas.

Em agosto de 2017 um grupo dissidente ganhou força, incluindo a maioria dos mineradores, exchanges e custodiantes. Em última instância, os usuários da rede, pessoas comuns, insistiram em não atualizar o software, alegando que a escalabilidade deveria ser buscada de outra forma, utilizando uma segunda camada.

A história culminou com o fork, uma cópia independente do registro histórico e sistema operacional com algumas modificações, conhecido como Bitcoin Cash, ou BCash (BCH).

Quer conferir mais detalhes sobre a história do nascimento do BCash? Acompanhe no vídeo acima, feito pela equipe da @usecripto

Quais as diferenças do BCash (BCH)?

Em primeiro lugar, tivemos uma redução na dificuldade de mineração, pois era esperado uma queda no poder computacional da rede. Em seguida, o aumento do limite de cada bloco minerado de 1 mega para 8, buscando maior capacidade de processamento.

Por último, foi removido o update SegWit, voltado para escalabilidade na segunda camada, por exemplo, a Lightning Network. Em suma, foi criada uma nova criptomoeda, utilizando quase o mesmo código-fonte e algoritmo de mineração, além de bonificar os detentores de BTC com a mesma quantidade de BCH.

O primeiro mês de operação do BCash (BCH) foi conturbado, já que o número de mineradores ativos na rede oscilava muito. Com isso, sua cotação oscilava drasticamente, especialmente enquanto nem todas exchanges haviam listado ou entregue as moedas do fork aos clientes.

O tripé segurança x velocidade x descentralização

Embora o blockchain conte com a segurança provida pelos mineradores e nodes (nós) de usuários comuns, a tecnologia possui desvantagens em relação a sistemas centralizados. Por exemplo, se definirmos um espaçamento entre blocos muito pequeno, podemos prejudicar participantes da rede em locais mais distantes.

De maneira similar, um tamanho de bloco muito grande aumenta muito o custo dos usuários que desejam armazenar e validar toda a rede por conta própria. O tamanho do arquivo pode facilmente ultrapassar 2 gigas, tornando complicado a inicialização dos nodes (nós).

Ou seja, existe um tripé onde (atualmente) é impossível atingir um ponto ótimo em todos os aspectos. Ao buscar segurança, perde-se em velocidade e/ou torna a rede mais centralizada. Enquanto isso, ao buscar velocidade, a rede fica menos segura e/ou dá poder para alguns grupos.

Aprenda neste outro artigo como funciona uma transação de Bitcoin e o trabalho dos mineradores.

Descontentamento e novo fork, ou divisão

Quando um pequeno grupo possui grande influência entre os mineradores e desenvolvedores, como é o caso do BCash (BCH), as práticas de centralização aparecem. Nesse sentido, destacam-se Roger Ver, dono da empresa Bitcoin.com, além de Jihan Wu, ex-CEO da mineradora e fabricante de máquinas ASIC Bitmain.

Embora em sistemas mais centralizados seja mais fácil aprovar mudanças, os dissidentes são obrigados a abandonar a rede e criar seu próprio fork, ou divisão. Dessa forma, parte dos mineradores e desenvolvedores resolveu criar em novembro de 2018 o BitCash Satoshi Vision (BSV).

Em resumo, a rede BCash ficou ainda menos segura por contar com menos mineradores, desenvolvedores e ecossistema em geral.

Escalabilidade via segunda camada

De fato, não existe um consenso entre qual a melhor solução para aumentar a capacidade de processamento do blockchain. Algumas redes buscam aumentar o tamanho do bloco, outras criar canais paralelos (sharding), ou até mesmo definir um pequeno grupo de validadores, tornando a verificação mais simples.

Cada solução traz seus desafios e diferentes níveis de centralização. O BCash (BCH) enxerga que os mineradores devem ter mais poder, portanto, se os nodes (nós) saírem prejudicados, não é problema. Desse modo, optou pelo aumento do tamanho do bloco.

Já Cardano (ADA), Ripple (XRP) e EOS, por exemplo, optam pela mineração através da Prova de Participação (Proof-of-Stake), ou simplesmente eleger um pequeno grupo de validadores. Isso certamente torna a verificação de novos blocos mais simples, porém reduz o grau de descentralização.

BCash (BCH) pode vencer?

É preciso entender que não há mais uma disputa entre BCash (BCH) e o Bitcoin. O mercado já deu essa resposta, com sua cotação e poder de mineração (hashrate) caindo abaixo de 1% do BTC.

Por este motivo, o BCash optou por trabalhar com criptoativos (tokens) nativos. Cabe lembrar que quando uma rede afirma ser “mais rápida” que o Bitcoin, ao medir o poder computacional que garante a transação, necessariamente este competidor irá aguardar mais tempo. A prova disso é que as exchanges exigem mais confirmações de mineradores para aceitar depósitos.

Ou seja, se analisarmos o BCash como uma criptomoeda isolada, é provável que seu desenvolvimento seja mais seguro que o Litecoin (LTC) ou Dogecoin (DOGE), por exemplo. Isso porque conta com a empresa Bitcoin.com e Jihan Wu financiando seus projetos.

Ficou mais claro a diferença do BCash (BCH) para as demais criptomoedas? Siga o Mercado Bitcoin no YouTube para continuar recebendo o melhor conteúdo de finanças digitais.

Fique ligado

Ainda não tem conta?

Participe agora da nova economia digital!

Criar conta

Fique por dentro das novidades

Assine nossa newsletter e receba nosso conteúdo assim que sair.