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Finanças descentralizadas: o que são e qual é a importância?

31/03/2021

9 minutos de leitura

Finanças descentralizadas: o que são e qual é a importância?

O Ethereum e os contratos digitais programáveis, ou smart contracts, abriram as portas para uma nova modalidade de transações, as finanças descentralizadas. O DeFi, como ficou conhecido o segmento, é liderado por plataformas de empréstimo de criptomoedas, além das exchanges autônomas, ou DEX.

A grande vantagem da descentralização em finanças é eliminar entidades centralizadoras, tanto no aspecto operacional, quanto na custódia (armazenamento) dos valores. No sistema financeiro tradicional, mesmo que os usuários coordenem empréstimos através de cooperativas, existe uma pessoa, ou mecanismo, com o controle dos valores, taxas de empréstimo, entre outros.

Similarmente, caso algum dos cooperados, ou clientes de um banco, tenha problemas na justiça ou tributários, estes valores podem ser confiscados. O mesmo ocorre quando o sistema do intermediário sai do ar, ou o dispositivo de algum controlador é invadido, liberando indevidamente os recursos. Quando falamos de uma cooperativa, isto pode gerar um risco para todo o sistema.

Em suma, as finanças descentralizadas (DeFi) permitem que seus usuários realizem transações de valores através de contratos digitais programáveis, sem a possibilidade de intervenção ou censura por terceiros. Tudo fica devidamente registrado em um blockchain público, em banco de dados distribuído, ou seja, sem risco de manipulação.

Fique tranquilo, pois o Mercado Bitcoin, a exchange líder em volume de negociação de criptoativos na América Latina, traz um guia detalhado para você surfar esta onda de finanças descentralizadas, ou DeFi.

O que são os Smart Contracts?

Os contratos digitais programáveis são linhas de código para execução em sistemas informatizados. O que diferencia um smart contract de um programa comum é sua capacidade de execução de forma autônoma, sem a necessidade de intervenção humana.

Engana-se quem acredita que estes só existem na rede da Ethereum, pois diversas blockchains oferecem esta funcionalidade, incluindo EOS, Tron (TRX), entre outras.

É importante entender que estes smart contracts ficam salvos na própria rede, portanto se aproveitando dos nós (nodes) que armazenam os dados e validam as transações. Desta maneira, não é possível impedir ou censurar as instruções contidas nestes contratos.

O que são Finanças Descentralizadas, ou DeFi?

Qualquer smart contract que envolve valores financeiros, mesmo contratos simples como uma conta-garantia, podem ser considerados aplicações de finanças descentralizadas (DeFi). Nesse sentido, seu uso mais comum envolve empréstimos utilizando criptoativos como garantia.

Um exemplo prático e relativamente simples é a stablecoin, ou moeda pareada em dólar, DAI. Ao invés de manter valores em banco ou investimentos tradicionais, sua reserva é feita em criptomoedas. Para estabilizar a cotação próximo de 1 dólar, existem contratos programados que fazem automaticamente o rebalanceamento da carteira.

Além disso, é crescente a utilização das exchanges descentralizadas (DEX), onde usuários efetuam trocas de criptoativos sem a necessidade de um agente centralizador. Cabe lembrar que estas transações não envolvem moedas fiduciárias ou depósitos bancários.

Em suma, finanças descentralizadas (DeFi) são contratos digitais programáveis, ou smart contracts, que realizam negócios de valores sem intervenção humana.

Quer ver na prática como funciona o DeFi das criptomoedas? No vídeo abaixo Bernardo Quintão e Jefferson Prestes ensinam como iniciar nesse universo.

Qual a vantagem deste sistema?

Primeiramente, como foi mencionado, uma queda sensível nas potenciais brechas, já que a própria rede blockchain se encarrega de garantir o funcionamento do sistema. Isso torna a aplicação completamente transparente e auditável, a todo instante.

Outro benefício é o custo menor de manutenção, já que não existem instalações físicas, funcionários, departamento jurídico ou similares. A única taxa paga é das transações que ocorrem no blockchain, que vão variar conforme a rede utilizada na aplicação descentralizada.

As finanças descentralizadas permitem que os usuários participem das decisões de cada aplicação, por exemplo, se algum novo criptoativo pode ser aceito de colateral (garantia) nos empréstimos.

Por último, em alguns casos, quando há uma cobrança de taxa dos usuários, ou ganhos obtidos na execução de ordens, o lucro pode ser distribuído entre os detentores destes tokens, como se fossem acionistas do projeto.

Este outro artigo explica como investir para conquistar sua independência financeira, que certamente pode incluir criptoativos de finanças descentralizadas (DeFi) na carteira.

O que é DEX, ou exchange descentralizada?

A exchange autônoma permite que usuários realizem trocas entre criptoativos sem necessidade de um custodiante ou intermediário. O próprio smart contract que rege o sistema se encarrega de informar qual a taxa de conversão, e tão logo o cliente autorize o envio de suas moedas, recebe automaticamente a moeda desejada.

Existem vários modelos de exchanges descentralizadas (DEX), e grande parte trabalha com uma cesta de liquidez, ou liquidity pool. Os usuários interessados em participar depositam suas moedas nesses contratos digitais programados, oferecendo suas moedas para as trocas realizadas na DEX, e, em troca, recebem uma remuneração, ou staking.

As aplicações financeiras descentralizadas (DeFi) possibilitam a arbitragem automatizada, ou seja, tirar proveito de diferenças na cotação, ou até mesmo nas taxas de empréstimo. Em resumo, o ganho obtido por esta DEX é compartilhado com os provedores de liquidez.

Como alguém pega um empréstimo no DeFi?

Vamos imaginar que um detentor de Litecoin (LTC) queira receber USD Coin (USDC) emprestados por 30 dias. Isso pode ser realizado através de aplicações financeiras descentralizadas, por exemplo, Compound, Curve, ou Aave.

Suas moedas de Litecoin (LTC) ficam de garantia para o empréstimo, cuja taxa de juros é negociada no momento da contratação, de forma automatizada pela plataforma. Ou seja, não há necessidade de cadastro, identificação, ou qualquer burocracia.

Do outro lado, temos os provedores de liquidez, que depositaram diferentes criptoativos nestas plataformas em busca de uma rentabilidade, no caso, obtida através dos juros cobrados nos empréstimos.

Tão logo a stablecoin USD Coin (USDC) seja devolvida, o sistema automaticamente devolve o Litecoin (LTC) previamente depositado, deduzindo as taxas do empréstimo.

Contratos derivativos e tokens sintéticos

Outra aplicação interessante das finanças descentralizadas (DeFi) são os derivativos e tokens sintéticos. Por exemplo, na aplicação Synthetix, os usuários podem negociar contratos de ouro, prata, Iene do Japão, e até mesmo o índice de ações FTSE da Inglaterra.

De maneira similar a stablecoin DAI do protocolo Maker DAO, esses tokens tem sua cotação ajustada através de um rebalanceamento de uma cesta de criptoativos.

Desse modo, uma série de smart contracts rege o sistema, que depende de uma cesta de liquidez provida por outros usuários buscando remuneração através do staking.

Acompanhe aqui mais informações sobre as plataformas autônomas e contratos programáveis, incluindo o mecanismo de funcionamento dos smart contracts.

Existe algum risco de investir no setor?

Sim, estes protocolos oferecem alto retorno para seus investidores, porém, com um nível de risco muito elevado. Boa parte disso ocorre em função da dificuldade de se auditar estes smart contracts.

Não bastassem os inúmeros casos de golpes e falhas no desenvolvimento, existem pontos de risco fora do controle da aplicação descentralizada. Por exemplo, a congestão na rede blockchain atrasando o envio de ordens, possibilitando que um atacante se antecipe utilizando uma taxa de processamento mais alta.

Outro fator que possibilita grandes prejuízos aos investidores é o uso de oráculos, os sistemas automatizados para avaliar a cotação de determinado criptoativo em outras plataformas. Um atacante pode momentaneamente forçar o preço em uma direção, já que é possível saber exatamente como o cálculo é realizado.

O futuro das finanças descentralizadas

Em resumo, a mesma transparência e ausência de uma entidade coordenando o processo é responsável por brechas regularmente aproveitadas por atacantes. O segmento se encontra em estágio inicial, apesar de já contar com mais de US$ 20 bilhões depositados nas diversas aplicações em funcionamento.

No entanto, a maioria dos usuários não possui capacidade técnica para analisar corretamente os riscos de cada protocolo. Por este motivo, recomendamos muita cautela antes de investir em tokens de finanças descentralizadas (DeFi).

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