Mercado Bitcoin organiza evento com Ilan Goldfajn

A sexta-feira dia 11 de junho de 2018 foi um dia histórico para as startups do Brasil. O economista-chefe do Mercado Bitcoin, Luiz Calado, foi o mediador de uma conversa com o Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Goldfajn já afirmou em outras ocasiões que o Banco Central não pretende regular o Bitcoin. Em linha com a posição da maior parte dos países do G-20, ele é considerado muito pequeno para ter impacto no Sistema Financeiro Nacional. Sempre que recebe uma pergunta sobre o tema, o presidente do BACEN recomenda extremo cuidado para quem quiser investir na criptomoeda.

Para Luiz Calado, o investidor deve considerar o Bitcoin como uma parte possível de seu portfólio, especialmente em ano de eleições. “Num ano eleitoral como a gente sempre sabe, a volatilidade no Brasil é sempre grande e Bitcoin não está atrelado a acontecimentos aqui do Brasil. Essa é parte positiva, você pode internacionalizar seu investimento aplicando um pouco em Bitcoin”, diz Calado.

Apesar de sua posição conservadora em relação ao Bitcoin, Ilan se mostrou animado com as aplicações do blockchain, tecnologia por trás da criptomoeda.

Na nossa vida financeira, dependemos de instituições que fazem a intermediação de interações entre pessoas que não se conhecem. Por exemplo, confiamos no banco em que depositamos o dinheiro, não na pessoa para a qual ele realiza empréstimos. O banco cuida do nosso saldo, e garante que aquele número é verdadeiro. No blockchain, o consenso é formado pela rede — as transações são confiáveis sem dependerem de uma instituição central.

Os usos do blockchain se multiplicam pelo Brasil e pelo mundo. O BNDES, instituição que já desembolsou R$188 bilhões para mais de 250 mil clientes, tem dois projetos paralelos nesse sentido. Uma parceria com o banco de desenvolvimento alemão KfW vai usar um blockchain privado, para aumentar a eficiência e transparência do fundo Amazônia. Outro projeto envolve o uso de um token para rede Ethereum para criação de um token lastreado em reais. Com isso, existirá registro público de quem recebeu quais recursos, e as condições contratuais.

O Banco Central já se mostrou disposto a regular a tecnologia blockchain, e fomentar o surgimento das chamadas fintechs. O evento, organizado pelo Mercado Bitcoin, é mais um passo na direção do desenvolvimento dessa interação entre as finanças tradicionais e a nova economia.