Halving do Bitcoin: Como ele vai te afetar nos próximos anos

O que é?

Satoshi Nakamoto, a entidade por trás do Bitcoin, determinou que a cada 210 mil novos blocos minerados, ou aproximadamente a 4 anos, aconteceria um evento chamado “Halving”, que consiste em uma redução de 50% na recompensa paga aos mineradores da rede, que monitoram e validam as transações. Seguindo essa regra, é possível prever que a quantidade total em circulação de bitcoins chegará extremamente perto de seu limite de 21 milhões de unidades aproximadamente no ano 2140. O Halving é executado automaticamente e não são necessários forks na rede para implementar as mudanças. A única diferença é que, a partir desse momento, para cada bloco minerado será emitido a metade do BTC para o mundo. Confira a tabela:

A inflação afeta tudo isso?

Precisamos ressignificar o conceito de inflação. Para muitos, a inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços em uma economia. Ainda, segundo a definição da Escola Austríaca de Economia, a inflação é o resultado do aumento da oferta de dinheiro no âmbito econômico. Logo, na medida em que existe um crescimento da oferta, mais dinheiro estará disponível no mercado, desvalorizando cada unidade individual, seja dinheiro físico ou criptoativos. Como consequência, essa desaceleração da inflação, mantendo-se a demanda constante, deve provocar um aumento expressivo nos preços. Entretanto, ao contrário de moedas fiduciárias, podemos saber com precisão quanto será a inflação do Bitcoin, seja em 2020 ou nos anos seguintes. E o Halving é um evento que marca essas abruptas mudanças na taxa de inflação.

Qual será o impacto desse evento para os mineradores?

Os mineradores são diretamente afetados pelo halving do ponto de vista financeiro, uma vez que a recompensa de novos bitcoins é sua principal fonte de renda. Com a redução dessa recompensa pela metade, existe o risco de que a atividade de alguns mineradores deixe de ser lucrativa, os obrigando a desligar suas máquinas e diminuindo o poder de processamento destinado à segurança da rede Bitcoin. Esse cenário pessimista é reforçado num contexto de baixa no preço da unidade de BTC. Por outro lado, historicamente nos últimos dois halving (2012 e 2016), o poder de processamento aplicado em mineração na rede Bitcoin cresceu nos meses seguintes ao evento. Outro detalhe importante foi o aumento no preço da unidade de BTC meses antes e depois desses dois últimos halvings, o que incentivou os mineradores não só a continuar suas atividades, mas também atraiu mais pessoas para a atividade. Não há garantias que esse cenário otimista irá se repetir em 2020, mas muitos estão confiantes que sim. Só nos resta aguardar e acompanhar as dinâmicas do mercado para aproveitar as oportunidades que falaremos a seguir. *

  • valores referentes ao dia da redação do artigo: (31/01/2019)
  • E como vai funcionar a taxa de emissão?

A taxa de emissão, pela primeira vez na história, terá uma grande semelhança com a do ouro. Diariamente, de 1800 Bitcoins gerados, obteremos 900 Bitcoins novos em razão da redução de recompensa, proporcionando uma inflação monetária de 1,8%.

Como o Halving vai afetar o preço do BTC para investidores?

Uma escassez expressiva do BTC, aliado com uma procura intensa por investidores institucionais, poderá resultar em uma alta significativa do preço. No dia do Halving de 2016, o preço do Bitcoin estava em US$662. No final do mesmo ano, o preço alcançou US$985, permitindo uma valorização de 50%. No ano seguinte, o Bitcoin teve uma alta de 1800%. Portanto, o preço do Bitcoin depende principalmente de sua oferta e demanda, como a maioria dos ativos tradicionais. Há uma tendência histórica do Bitcoin valorizar, em média, um ano antes da época de Halving, o que aconteceria por volta de maio de 2019. Consequentemente, a expectativa é de aumento no volume negociado de Bitcoins, num movimento de aumento da demanda e redução de oferta.

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