Investimento em criptoativos

Mercado cripto cai 36% na semana, o que aconteceu ?

Criado em 13/05/2022 - Atualizado em 13/05/2022

8 minutos de leitura

Mercado cripto cai 36% na semana, o que aconteceu ?

O valor de mercado das criptomoedas despencou 36% entre os dias 5 e 12 de maio. No auge da correção, o Bitcoin atingiu os 25.500 dólares, seu menor nível em 17 meses. Qual seria o motivo da queda das criptomoedas?

Mesmo após uma leve recuperação, o Bitcoin permaneceu abaixo dos 30.000 dólares no dia 12. Esta marca representa uma queda de 58% frente a sua cotação máxima de 69.000 dólares atingida em novembro de 2021.

A situação das demais criptomoedas foi, na sua maioria, ainda pior:

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Embora a forte oscilação de preços seja esperada, momentos como esse causam estranheza, mesmo entre os participantes desse mercado. Seria o fim das criptos?

Bitcoin havia subido 594%, e Ethereum 2.500%

Enquanto o Bitcoin acumulava alta de 594% entre abril de 2020 e abril de 2022, o mercado de ações segundo o índice de ações Russell 2000 dos EUA apresentou ganhos de 94%. Portanto, era esperado que uma eventual correção nas criptomoedas tivesse mais força.

Para efeito de comparação, o ouro valorizou 21% no mesmo período, enquanto as ações da Apple tiveram ganhos de 175%. Em resumo, nada chegou perto do ganho das moedas digitais: Solana (SOL) +3.980%, Cardano (ADA) +3.725%, Ethereum (ETH) +2.500%. Mas afinal, o que causou a queda do Bitcoin e das demais moedas digitais?

Motivo 1: alta da inflação pressiona Bancos Centrais

A inflação de 8,3% nos EUA foi o resultado de 2 anos de taxas de juros no seu menor nível histórico e inúmeros pacotes de estímulos. No total, foram colocados em circulação mais de 8 trilhões de dólares nas principais economias do mundo.

  • Essa injeção de capital foi a estratégia escolhida pelos governos para evitar uma crise. 
  • O objetivo de oferecer crédito barato era estimular a economia, incentivando as empresas e os mercados.
  • A política de juros baixo tornou as aplicações de baixo risco pouco atrativas, fazendo com que os investidores saíssem da renda fixa.

Em 4 de maio, o Banco Central dos EUA fez seu maior aumento na taxa de juros nos últimos 20 anos. Ou seja, decretou o fim de um longo período de estímulos, trazendo incerteza aos mercados. Desse modo, os investidores buscaram proteção em títulos do Tesouro norte-americano, e caixa, dinheiro parado em dólares.

Motivo 2: erosão do ecossistema Terra (LUNA)

Ao final de março de 2021, a Terra (LUNA) atingiu valor de mercado de 33 bilhões de dólares, assegurando assim a 5ª posição dentre as maiores criptomoedas.

  • Um dos pilares do ecossistema Terra era sua stablecoin, a moeda digital pareada ao dólar, Terra USD (UST). 
  • Um sistema automatizado criava ou destruía moedas Terra (LUNA) conforme variava a demanda pelo UST, buscando manter sua cotação próxima de 1 dólar.
  • Havia um grande incentivo financeiro para que os investidores “travassem” as moedas nos mecanismos de remuneração, conhecido como stake.

Em fevereiro de 2022, a Fundação Luna levantou 1 bilhão de dólares com investidores, e no mês seguinte comprou 3,5 bilhões em Bitcoin para usar de garantia em sua stablecoin Terra USD.

Com a desvalorização das criptos, os investidores começaram a resgatar valores desse ecossistema, que se viu obrigado a se desfazer dos Bitcoins, além de imprimir novas moedas Terra (LUNA) como garantira.

A stablecoin tornou-se insolvente, ou seja, sem depósitos de garantia, e isso resultou numa queda de 99,9% na cotação da Terra (LUNA).

Motivo 3: incerteza regulatória

No final de março, a Índia colocou imposto de 30% sobre os ganhos em cripto, e na primeira semana de abril, os bancos passaram a bloquear depósitos para as principais corretoras de ativos digitais no país.

Apesar de não ser uma atividade ilegal, não há uma definição jurídica de quais classes de ativos digitais podem ser oferecidas para investidores na Índia. Para piorar, o governo anunciou uma taxação de 1% para qualquer transação com ativos digitais a partir de julho.

No início de abril, Gary Gensler, presidente da entidade reguladora dos mercados de capitais dos EUA (SEC), voltou a criticar a falta de proteção aos investidores de varejo no segmento de ativos digitais.

Em 10 de maio, a Secretária do Tesouro Janet Yellen discursou na comissão de finanças do Senado, e pediu uma regulação para o mercado de criptomoedas. Yellen citou nominalmente a derrocada da stablecoin USD Terra (UST).

O pior já passou? Quanto tempo irá durar esse “inverno”?

Se de um lado temos uma maior clareza do potencial impacto das decisões do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, na outra ponta os investidores seguem na expectativa de indicadores econômicos e resultados trimestrais de empresas para acalmar os ânimos.

Enquanto houver receio de uma crise mais forte, seja por conta da fraqueza da economia ou escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia, é possível que a tendência de queda nos mercados de renda variável continue. Por isso, é impossível afirmar se o pior já passou.

Nesse cenário de incerteza, as criptomoedas seguem em viés de baixa, independente de seus benefícios de escassez digital e impossibilidade de censura. 

Como deve ser a recuperação após a crise?

Essa não é a primeira vez que vivenciamos um “inverno” das criptos, porém é inegável que o ecossistema está cada vez mais sólido. Além de grandes empresas como Tesla, MicroStrategy, e Square (Block), temos a adoção do Bitcoin como moeda oficial em El Salvador, e fundos de investimento negociados na bolsa de valores.

Já as finanças descentralizadas (DeFi), mesmo após a implosão da Terra (LUNA), ainda restam 110 bilhões de dólares em valor depositado nos ecossistemas Ethereum, BNB Chain, Avalanche, Solana, entre outros. 

Essas aplicações de empréstimo, jogos, metaversos, marketplaces, redes sociais, e colecionáveis seguem funcionando normalmente. Grandes empresas e fundos de investimento continuam aportando nesses projetos, e suas funcionalidades e diferenciais seguem normalmente. 

Em suma, os fundamentos permanecem, portanto é questão de tempo para isso se refletir no valor de mercado.

 

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