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O que é CBDC? Como funciona a moeda virtual dos Bancos Centrais?

Criado em 20/12/2021 - Atualizado em 20/12/2021

6 minutos de leitura

O que é CBDC? Como funciona a moeda virtual dos Bancos Centrais?

CBDC, ou Central Bank Digital Currency, é uma moeda digital emitida por governos e Bancos Centrais. Embora o dinheiro atualmente circule na forma virtual, o registro dessas transações ocorre de forma independente em cada instituição financeira.

Quando falamos em CDBC, existe um único banco de dados compartilhado por todos os operadores e usuários. Essas mudanças trazem grandes benefícios para o emissor da moeda, que passa a ter total controle sobre as transações. No entanto, como ficam os bancos? Quais os benefícios da CBDC para seus usuários?

O que é CBDC?

O CBDC é uma moeda digital criada pelo Banco Central, uma versão virtual do dinheiro de um país. Ou seja, continua sendo uma moeda fiduciária, aquela imposta pelo governo nas transações locais e pagamento de impostos.

O Sistema Financeiro Nacional (SFN), embora avançado ante os demais países, não está totalmente integrado. Desse modo, o Banco Central não possui uma visão completa do dinheiro circulante.

  • Ao contrário do dinheiro tradicional, o CBDC exige uma carteira digital (wallet), que pode existir de forma independente aos bancos.
  • O CBDC utiliza um banco de dados distribuído, porém só entidades selecionadas pelo emissor conseguem validar as transações.
  • Cabe ao emissor estipular as regras de uso, incluindo a emissão de novas moedas.
  • O usuário comum não tem poder algum, pois pode ter suas transações censuradas e até mesmo revertidas conforme a vontade do emissor.

financas-descentralizadas

PIX e CBDC são a mesma coisa?

O CBDC é um dinheiro virtual emitido pelo banco, enquanto o PIX é um meio de pagamento. Boa parte das transações do sistema financeiro nacional são realizadas de maneira virtual, porém isso não é CBDC.

  • O PIX é apenas uma modalidade adicional de transferência entre bancos, como TED e DOC.
  • A vantagem do PIX é permitir pagamentos e transferências 24 horas.
  • Ao contrário do TED e DOC, as remessas via PIX são imediatas.
  • Não existe uma carteira digital necessária para o PIX, pois a moeda circulante o Real R$ permanece nas instituições financeiras.

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O que é criptomoeda?

  • Criptomoedas são ativos digitais descentralizados, portanto sem um coordenador central.
  • Utilizam criptografia, que impede o acesso de terceiros aos endereços das suas moedas virtuais.
  • Obrigatoriamente utilizam um banco de dados aberto e distribuído, usualmente o blockchain.
  • Cada projeto define o limite circulante, forma de atuação dos validadores, e processo para criar moedas.
  • Qualquer mudança nas regras precisa passar pelo consenso, os usuários que mantêm o histórico da rede e validam suas próprias transações.

CBDC é uma criptomoeda?

O CBDC não compete com as criptomoedas pois mantêm os mesmos fundamentos, e problemas, da moeda fiduciária tradicional.

  • CBDC é controlado pelo Banco Central ou governo.
  • Seu limite de emissão e regras de uso podem ser alterados pelo emissor, sem necessidade de aprovação pelos usuários.
  • Usa sistema de registro distribuído, porém não é necessário o blockchain.
  • O detentor da carteira não é soberano sobre as moedas ali contidas, pois depende do Banco Central para movimentá-las.

Investir em Bitcoin vale a pena para quem busca um sistema auditável e com emissão controlada, portanto se protegendo da inflação.

criptomoedas-vs-cbdc

Qual a diferença entre stablecoin e CBDC?

A stablecoin é um ativo digital que busca uma paridade com outro ativo, como o dólar.

  • Surgiram pela necessidade de manter saldos sem risco de volatilidade em dólar nas corretoras de ativos digitais, ou exchanges.
  • Não é preciso envolver contas bancárias para transferências de stablecoins.
  • Transações ocorrem de forma 100% digital, no blockchain.
  • Para buscar a paridade com o dólar, a maioria das stablecoins mantêm saldos e investimentos atuando como lastro.
  • Contam com uma empresa emissora, responsável por assegurar que as reservas são suficientes para cobrir o total emitido.

Vai ser possível converter CBDC em criptomoedas?

Ainda não existe uma definição específica das regras de uso do CBDC. A princípio, o mecanismo não impede a transferência entre usuários com a finalidade de compra de criptomoedas.

Dessa forma, quem quiser trocar CBDC por uma criptomoeda precisa encontrar alguém interessado na troca oposta. Isso pode ocorrer na modalidade direta entre pessoas (p2p), ou através das corretoras de ativos digitais, as exchanges.

Algum país já lançou sua CBDC?

Sim. O Sand Dollar do Banco Central de Bahamas entrou em operação no final de 2020. Cabe lembrar que o governo optou por um CBDC funcionando em conjunto com a moeda convencional. Segundo sua página oficial, o Sand Dollar:

  • É garantido pelas reservas internacionais do país.
  • Não é uma criptomoeda, pois representa um passivo do Banco Central.
  • Transações são auditáveis, porém o emissor tem total conhecimento de cada parte envolvida.
  • É necessário informar e-mail ou telefone para criar uma carteira (wallet).
  • Através das Fintechs é possível utilizar cartões de débito e crédito convencionais.

A China é outro país em estágio avançado de desenvolvimento do CBDC. Em fase de testes, a carteira digital (wallet) permite transações e pagamentos com o Yuan Digital.

O Brasil e o Real Digital

O Real Digital é a proposta brasileira para uma CBDC, e o Banco Central iniciou um grupo de estudos em agosto de 2020. Não há prazo para início de sua operação, nem modelo de banco de dados definido.

No entanto, sabe-se que o Real Digital irá manter as características da atual moeda, inclusive funcionando em paralelo em seu início de vida.

O Real Digital possibilita:

  • Uso de contratos programáveis, os smart contracts.
  • Integração com os sistemas de pagamento atuais.
  • Controle total ao Banco Central, pois toda transação passa por seu sistema de dados.

Ficou curioso? Veja mais alguns detalhes no vídeo abaixo.

O que muda na prática?

O usuário do CBDC precisa criar uma carteira digital, que pode ou não ser integrada aos aplicativos convencionais de bancos e Fintechs. De maneira similar ao PIX, existe uma chave pública, que pode ser compartilhada, para receber transferências.

No entanto, as “contas bancárias” passam a existir somente no banco de dados do Banco Central, portanto o usuário não fica mais “preso” a determinada instituição financeira.

Dessa forma, o avanço da CBDC permite:

  • Pagamentos e transferências entre pessoas e empresas sem depender de uma instituição financeira ou Fintech.
  • Maior controle do Banco Central na circulação da moeda, evitando fraudes bancárias.
  • Regras de uso do dinheiro, impostas pelo próprio usuário, ou através de mecanismos programáveis, os smart contracts.

CBDC vai substituir o dinheiro?

Sim, é questão de tempo para o CBDC acabar com o dinheiro tradicional como conhecemos. A tecnologia dá mais controle ao emissor, por exemplo, permitindo implementar o juro negativo. Nesse caso, o depositante perde uma parte do valor se mantiver as moedas paradas na carteira.

Outro aspecto que aponta para a implementação do CBDC é a possibilidade de censura e reversão de transações, dando mais segurança para o emissor. Por último, a tecnologia dá ao emissor informações em tempo-real da situação financeira dos bancos e intermediários de pagamento.

Por enquanto, tudo indica que o CBDC vai funcionar como um complemento do dinheiro tradicional, portanto a transição será lenta e progressiva.

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