Por que os retornos são diferentes?

Duas informações são muito importantes na hora de avaliar um investimento: risco e retorno.

Todo investimento possui duas pontas: aquele que está recebendo o retorno, e o que está pagando pelo retorno. Claro, quem vai receber procura o maior retorno, enquanto os emissores procuram sempre pagar o menos possível. Os retornos são atingidos com esse balanço de forças. O risco está associado ao grau de incerteza sobre esse ganho esperado no futuro. Quanto maior o grau de incerteza, maior a probabilidade do retorno ser diferente do retorno planejado.

Para compensar a possibilidade de perda, o investidor costuma exigir um ganho adicional. Por isso, quanto maior o risco, maior o retorno esperado e vice-versa. O mercado precifica cada investimento de acordo com seu perfil de risco e retorno.

De modo simplificado, o investidor experiente escolhe seus investimentos buscando o maior retorno possível mas com o menor risco possível, como podemos ver na imagem nessa imagem:

Precatórios por que os retornos são diferentes

Existem diversos tipos de risco que devemos considerar ao analisar um ativo. Os principais são:

  1. Risco de Crédito;
  2. Risco de Prazo;
  3. Risco de Liquidez;
  4. Risco de Indexação;
  5. Risco de Concentração;
  6. Risco de mercado.

Risco de Crédito

O risco de crédito é o risco de que a outra parte não honre seus compromissos, seja por calote, falência ou qualquer outra razão. Muito presente principalmente em dívidas.

Uma das formas mais rápidas de verificar esse tipo de risco é por uma medida chamada de rating. Quanto mais alta a letra, menor o risco de contraparte do investimento. Veja abaixo o exemplo de CDBs, onde cada linha representa um investimento diferente (emitido por bancos diferentes).

Risco de Crédito

Note que todas as características são iguais, exceto pela rentabilidade e pela qualidade do banco, medida pelo rating, que está na penúltima coluna. Veja que a empresa com nota BBB- paga mais que a AA+ em suas dívidas, pelo risco maior de inadimplência.

Risco de Prazo

O risco de prazo está relacionado com a duração do investimento. Quanto mais longo o prazo que um investidor deve alocar seu capital, maior será o retorno exigido. Isso ocorre porque tanto a probabilidade de ocorrer eventos não previstos como o impacto desses eventos aumentam com o prazo. Além disso, maior será também o tempo que o investidor estará exposto aos outros riscos do investimento.

Veja abaixo outro exemplo de CDBs, onde cada linha representa um investimento diferente (emitidos pelo mesmo banco).

Risco de Prazo

Ambos os títulos são similares em tudo, exceto no fator tempo. Veja que a aplicação que vence no início de 2020 pagará 102% do CDI, enquanto a aplicação que exige um prazo 4,5 anos maior para o investimento rende 118% do CDI.

Risco de Liquidez

O risco de liquidez representa a dificuldade do investidor em transformar o produto financeiro em dinheiro. Uma ação pode, em geral, ser transformada imediatamente em dinheiro. O mesmo vale para títulos do Tesouro Direto, que são recomprados pela União a qualquer momento, através da maioria das corretoras do mercado, apesar de nem sempre nas condições serem ideais. Por outro lado, vemos fundos e títulos que possuem prazo mínimo de aplicação - geralmente de 6 meses a 5 anos.

Alguns investimentos, como em startups, podem demorar alguns anos para se tornarem líquidos. O retorno, claro, é equilibrado nesse prazo maior de investimento.

O grande risco é que não exista um comprador para o ativo. Podemos ver isso em ativos particulares na Bolsa, como alguns tipos de contratos de commodities, ou participações em empresa de capital fechado.

A liquidez não torna o investimento melhor ou pior. Contudo, quanto maior a dificuldade para recebimento, maior tende a ser a taxa de retorno exigida pelo investidor.

Risco de Liquidez

Veja esses dois CDBs. Iguais em exatamente tudo, mas o primeiro só pode ser resgatado no seu vencimento, enquanto o segundo possui liquidez no período, isto é, o valor investido pode ser resgatado antes do prazo de vencimento. Por isso, o primeiro tem rendimento superior.

Risco de indexação

Devemos considerar ainda o impacto do fato de o título ter seu rendimento pré ou pós fixado. Quando se investe em um título pré fixado, sabe-se exatamente qual será o rendimento no período, sendo possível ter uma visão clara do seu valor no prazo de vencimento. O título pós fixado varia em função de uma outra taxa, e seu rendimento depende do desempenho de algum outro indicador. O mais comum é vermos uma variação em porcentagem do CDI, a taxa básica de juros privados da economia. Veja o exemplo abaixo:

Risco de indexação

Um é mais previsível que o outro. Em relação ao primeiro, o investidor sabe que será remunerado em 8,15% ao ano independente do que aconteça ao CDI. Caso o CDI caia para 2%, ele está seguro. Por outro lado, se o CDI subir para, digamos, 10%, ele poderá estar deixando rentabilidade na mesa. Um não é inerentemente melhor que o outro, mas é preciso ficar atento à essa diferença, e saber se quer estar exposto a variações na taxa de juros ou não.

Risco de Concentração

O risco de concentração ocorre quando o investidor possui um portfólio no qual parte relevante dos investimentos estão sujeitos a riscos similares. Os riscos podem ser relacionados ao tipo de ativo, prazo de vencimento, credor, etc. Por exemplo, CDBs de um mesmo emissor. Caso aquele banco em particular sofra dificuldades, todo esses papéis poderão ser afetado.

Por isso o investidor deve procurar construir uma carteira de investimentos diversificada, de acordo com seu apetite a risco, planos para utilizar o dinheiro investimento, situação financeira atual, além de diversas outras razões.

Risco de Mercado

O risco de mercado é o risco macroeconômico ao qual o investidor está exposto, que pode ser tanto nacional quanto internacional. Focando no risco nacional, é possível ver diferentes níveis de risco no mundo. Todos os títulos mostrados acima são do mercado brasileiro, e estão expostos, em certa medida a riscos da economia brasileira. Diferentes países possuem níveis de risco diferentes, dependendo da saúde de sua economia. Veja uma tabela da Bloomberg, mostrando o retorno esperado de títulos de 10 anos de vários países:

Risco de mercado

A diferença entre eles é explicada em grande parte pelo risco de mercado. Investidores consideram que economia dos Estados Unidos é mais segura do que a brasileira, e por isso os juros são menores. Por outro lado, investidores vẽem o Brasil como menos arriscado do que o México.

Conclusão

A análise do retorno de qualquer ativo passa por uma consideração desses principais fatores. A rentabilidade bruta é um bom indicador, mas não conta toda a história de um determinado ativo.