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Qual a importância da margem de segurança para investimentos?

01/04/2021

7 minutos de leitura

Qual a importância da margem de segurança para investimentos?

Vale a pena comprar ações da Magazine Luiza, ou um imóvel residencial em São Paulo? Tudo depende do preço, pois se você comprar barato, certamente estará fazendo um bom negócio.

Mas, quanto é barato? Para saber esta resposta você precisa ter um bom conhecimento do mercado. Não precisa chegar em um número exato, pois uma faixa estimada ajuda.

Portanto, esqueça a precisão quando buscamos uma margem de segurança. A estimativa de quanto vale um imóvel, empresa, ou título de dívida, é o segredo do investidor de sucesso.

A margem de segurança é um princípio no qual o investidor só compra ativos quando o preço está abaixo da estimativa projetada. É esta informação que permite acumular bons negócios com preços descontados.

Existem dezenas de metodologias para o cálculo do preço justo, também chamado “valor intrínseco”. Algumas pessoas usam uma correlação com outras empresas do setor, enquanto outras se baseiam no histórico de 4 ou 10 anos, dependendo do horizonte do investidor.

Qual a importância da margem de segurança?

Os investidores de longo prazo acreditam que o preço dos ativos, principalmente aqueles de renda variável, podem se afastar do seu valor intrínseco em alguns períodos. Este valor é estimado conforme o histórico e médias de cada setor, também chamado preço justo.

Desse modo, quanto menor estiver o preço de mercado em relação ao preço justo, maior a margem de segurança do investimento.

Quando o investidor adquire um ativo descontado, ou seja, cujo preço de mercado está abaixo do seu valor justo, as chances de perda são minimizadas pela margem de segurança. Isso porque, no longo prazo, o preço dos ativos tende a convergir para o seu valor real. Deste modo, a margem de segurança vai compensar possíveis desajustes temporários.

O valor de uma empresa se baseia em premissas que nem sempre se concretizam ao longo do tempo. O preço de mercado está relacionado ao desempenho da empresa, expectativa dos investidores, oferta e procura, entre outras variáveis.

O investidor deve avaliar o valor intrínseco usando métricas de preço, lucro, receitas, endividamento, entre outros, para concluir se determinado ativo representa uma boa oportunidade. Esse valor intrínseco é baseado no potencial de gerar lucros e distribuir dividendos no futuro.

Desconfie de ofertas muito abaixo do mercado, especialmente quando não há números auditados ou alta liquidez, ou seja, negociação diária do ativo. Acompanhe nossas dicas de como evitar pirâmides financeiras e golpes.

Como funciona na prática?

Não existe uma fórmula mágica para calcular a margem de segurança. A economia é extremamente complexa, dinâmica e imprevisível.

A margem de segurança é um dos indicativos para auxiliar investidores a escolher um ativo descontado. De uma forma geral, quanto maior a esta margem, menor é o risco do investimento.

Se você trabalha com compra e venda de automóveis usados, pode usar a tabela FIPE. No entanto, ao analisar um veículo específico, deve avaliar o estado geral do carro, pneus, multas, carroceria, motor, freios, etc. Com base nesta avaliação você pode estimar quanto está disposto a pagar em função do lucro pretendido. Em suma, esta diferença será a sua margem de segurança.

No mercado acionário, nem sempre preços muito baixos em relação ao seu valor intrínseco sinalizam uma boa aposta. Esta situação pode ser uma indicação de problemas visíveis e situações complexas. O que está barato hoje, pode ficar ainda mais barato amanhã. Por outro lado, ações cujas cotações superam muito o valor intrínseco podem ser ótimas apostas, pois o mercado aposta no crescimento dos lucros.

Avaliação por múltiplos de lucros, vendas ou patrimônio

Valuation é o termo que vem do inglês para “avaliação de empresas”. Existem diversas técnicas de avaliação que podem ser utilizadas para determinar o chamado “preço justo” por ação. As formas mais comuns são múltiplos financeiros, além do fluxo de caixa descontado.

Avaliação por múltiplos

É feito através da análise dos indicadores de mercado entre empresas com características similares, ou do mesmo setor de atuação. Dentre os múltiplos mais utilizados estão:

  • Preço / Lucro (P/L): quantos anos o lucro totaliza o preço da ação;
  • Preço / Valor Patrimonial por Ação (P/VPA): preço da ação em relação ao patrimônio da empresa;
  • Dividendos / Preço por ação (DY): porcentagem dos dividendos dos últimos 12 meses em relação ao preço da ação;
  • Valor de mercado / Lucro antes de impostos (EV/EBITDA): quantos anos o lucro operacional paga o valor da empresa.

A análise dos múltiplos mostra se a ação está barata ou cara em relação à média histórica, ou em relação às empresas similares.

Avaliação por fluxo de caixa descontado

A análise do fluxo de caixa descontado é o modelo mais completo para fazer o valuation. Este método estima a expectativa de lucros futuros da empresa trazendo para o valor presente através de uma taxa de desconto.

Esta análise considera todos os custos de capital e riscos inerentes ao negócio. Este método exige muito conhecimento do investidor para estimar as taxas de crescimento, de desconto, e da perpetuidade. Por esse motivo, é mais utilizada por profissionais capacitados.

Quais as vantagens ao utilizar esta metodologia?

Investir em algum ativo comprando com valor intrínseco abaixo da média setorial representa uma boa oportunidade de maior retorno com menos risco.

Quando o preço do petróleo cai, parte da produção se torna inviável, reduzindo a oferta. Isso cria cenário favorável para a valorização da commodity.

Em suma, embora o petróleo não tenha necessariamente um valor intrínseco, é possível estimar um valor mínimo no qual a produção é sensivelmente reduzida, estabilizando sua cotação.

O investidor deve reunir o máximo de informação e pesquisar bastante antes de investir em qualquer ativo, seja ele o ouro, petróleo, ações, dólar, ou criptoativos.

Veja neste outro artigo como investir em períodos de crise, minimizando os prejuízos.

Como calcular a margem de segurança na prática

Imagine que você pretende comprar uma padaria por R$ 800 mil. A padaria fatura R$ 120 mil por mês, com um lucro líquido de 20%. Se você espera recuperar o investimento em no máximo 4 anos, o “valor justo” é de 4 x 12 x R$ 24 mil = R$ 1,15 milhão.

Neste caso, a margem de segurança é de 44%, pois o valor da aquisição está R$ 350 mil abaixo do lucro estimado no período.

Bitcoin tem margem de segurança?

Para calcular a margem de segurança do Bitcoin, precisamos da cotação negociada no mercado, além do valor intrínseco, ou “preço justo”.

Como precificar algo que não gera lucros e dividendos? Alguns analistas dizem que seu valor intrínseco é o custo para minerar um Bitcoin, mas não há um consenso. O principal contra-argumento é que o custo de mineração varia conforme a quantidade de mineradores atuando, que por sua vez depende do preço do Bitcoin.

O “valor justo” atualmente é de US$ 42.000 por Bitcoin, considerando um aumento de 3% ao mês na dificuldade de mineração, com energia elétrica de US$ 0,03 por kWh. De qualquer forma, é normal que o investidor de criptomoedas faça previsões de mais longo prazo, considerando que a adoção, e o próprio desenvolvimento do ecossistema ainda seja incipiente.

No vídeo abaixo, a Carol do @usecripto explica detalhadamente a relação entre a mineração de criptoativos e o custo energético, confira:

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