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Real Digital é melhor que Bitcoin? O que muda?

Criado em 11/06/2021 - Atualizado em 11/06/2021

5 minutos 30 segundos de leitura

Real Digital é melhor que Bitcoin? O que muda?

O Banco Central postou um vídeo fornecendo detalhes sobre o Real Digital, a versão brasileira do CBDC - do inglês Central Bank Digital Currencies ou Moedas Digitais dos Banco Centrais. Fábio Araújo, Coordenador dos Trabalhos sobre Moeda Digital do BCB, explicou que se trata de uma “representação digital da moeda física, o Real (R$)”.

Fábio menciona que o novo formato mantém as prerrogativas de uma moeda soberana, ou seja, a única mudança é a “carteira digital”, um novo meio de armazenar e transacionar. Não há nenhuma menção de uso do blockchain, mineradores ou validadores independentes.

O gestor afirma que uma moeda digital do Banco Central tem uma “garantia do Banco Central”, logo possui menor risco dos ativos na economia. Embora não seja explícito, é possível que a referência seja quanto a obrigatoriedade de aceitação no comércio e bancos, por se tratar de uma moeda fiduciária.

Sabemos que,na realidade, a cotação do Real (R$) flutua, seja ele físico, digital, ou representado de maneira criptografada em um banco de dados distribuído. A prova disso é que o poupador da renda fixa, atrelada à taxa básica de juros Selic, está rendendo menos que a inflação oficial, o IPCA.

Afinal, qual a vantagem de transformar a moeda brasileira em Real Digital? Por que os Bancos Centrais querem tanto implementar essa mudança? Acompanhe com o Mercado Bitcoin, a exchange líder em ativos tokenizados no país, as diferenças do CBDC e Bitcoin.

Qual a novidade do Real Digital (CDBC)?

Segundo o próprio Fábio Araújo, o principal atrativo para o Brasil é a “redução do custo de utilização da moeda física”, alegando que uma parte do país ainda utiliza dinheiro em espécie, e isso representa um custo para o país.

Além disso, o gestor da Moeda Digital cita a “possibilidade de acesso a novas tecnologias, incluindo os smart contracts, ou dinheiro programável". Segundo Fábio, “você tem um contrato eletrônico que está embutido na sua carteira (digital), e ele vai sendo cumprido à medida que (se atinge) as condições e cada cláusula do contrato.”

Por último, o gestor afirma que o smart contract permite que uma compra de imóvel, por exemplo, só transfira o valor quando a transferência da propriedade for efetivada. Mais adiante, Fábio explica o que a propriedade, o imóvel, precisa ser tokenizado.

Ainda não sabe o que é uma wallet (carteira digital)? Veja como guardar criptomoedas de maneira segura.

O CBDC facilita as transações internacionais? Nas palavras do próprio representante do Banco Central: “se nós conseguirmos ter um sistema de cada país interoperável com os outros, as transferências internacionais vão ser simplificadas. Por exemplo, remessas internacionais onde hoje o custo é muito alto.”

No entanto, ao menos durante a entrevista, não foi especificado como o problema da taxa de câmbio será resolvido. O banco ou intermediário de pagamento em Londres aceitaria o Real Digital? Caso contrário, o usuário final segue dependente de um intermediário, um banco ou casa de câmbio.

Como funciona a segurança do Real Digital?

O responsável pela área no Banco Central afirma que existe uma “diretiva de privacidade” que garante que os dados que estão em custódia não vão ser utilizados de maneira inadequada. Em suma, explica que a mesma privacidade dos dados pessoais em vigor no atual sistema financeiro.

Em relação aos hackers e golpes, o Banco Central afirma que “tem conseguido lidar bem com todos os problemas.”

Na prática, qual a diferença para o usuário?

O Banco Central avalia que as políticas de “open banking”, o acesso igualitário para os demais intermediários do sistema financeiro além dos bancos, é um dos projetos necessários para que o CBDC tenha um maior impacto na sociedade.

Além disso, a autarquia afirma que o PIX, o sistema de pagamentos instantâneo intermediado pelo Banco Central, ainda deve levar dois ou três anos para maturar. Com esses dois projetos em prática, será possível realizar “conversas com a sociedade” para avaliar as diretrizes, e entender a demanda do Real Digital, e quais tecnologias podem ser implementadas.

A migração será automática?

Não. Pelo que foi explicado, a princípio, o usuário deve solicitar à instituição financeira ou intermediário a conversão do valor em Reais Digitais, na sua própria carteira digital.

Deste modo, podem ser realizadas transferências sem internet, através de leitura de QR Code ou bluetooth, porém hoje não há uma definição clara desta tecnologia.

O Real Digital compete com o Bitcoin?

Não. Conforme explicado pelo próprio Banco Central, as propriedades da moeda brasileira não são alteradas pela movimentação no formato digital. Desse modo, a paridade com o dólar, ouro, e Bitcoin, não é alterada.

O Banco Central continuará livre para colocar Títulos Públicos ou dinheiro novo em circulação conforme desejar, inflacionando a moeda. Ao mesmo tempo, o usuário seguirá dependente de entidades centralizadas, sejam elas bancos e instituições financeiras, ou diretamente com o próprio Banco Central.

Desse modo, transações podem ser revertidas, contas bloqueadas, e o próprio Real Digital confiscado, se assim for definido pelo poder executante. Em resumo, nenhuma das características do Bitcoin, trazidas pela descentralização, estão presentes no CBDC brasileiro.

No vídeo abaixo, a equipe da @usecripto explica como é calculado o preço do Bitcoin.

Será possível converter Real Digital em Bitcoin?

É possível que um detentor de Real Digital encontre um vendedor de Bitcoin disposto a fazer a troca, seja ela intermediada ou não por uma exchange. Ou seja, funcionará da mesma forma que é atualmente.

Dependendo da tecnologia que será utilizada no CBDC brasileiro, talvez seja até mais seguro realizar trocas entre o Real Digital e criptomoedas, assim como os ativos tokenizados, conforme mencionado pelo representante do Banco Central.

Exchange de criptomoedas é a corretora responsável por organizar o mercado entre compradores e vendedores.

Os governos podem banir o Bitcoin?

Com uma moeda tokenizada, como o Real Digital, os governos podem criar regras para sua utilização, por exemplo, proibindo o uso de parte dela para utilização em lojas que vendem bebidas alcoólicas. No entanto, os usuários podem “driblar” estas restrições utilizando intermediários, trocando o Real Digital por outro ativo, e esse sim, utilizado para quitar a transação.

O Bitcoin funciona de forma totalmente independente do sistema financeiro, e até mesmo da internet. Usuários já fazem transações de forma regular utilizando satélites e rádio-amador. Em suma, não há como o governo saber se uma transferência de Real Digital entre duas pessoas foi realizada para pagar a compra de Bitcoin.

Em linhas gerais, não há como um governo banir o Bitcoin. Cabe lembrar que recentemente o país de El Salvador adotou a criptomoeda no país, portanto, por lá, todos são obrigados a aceitá-la como meio de pagamento.

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