Criptoativos

Retrospectiva 2021 do mercado de criptomoedas.

Criado em 05/01/2022 - Atualizado em 05/01/2022

10 minutos de leitura

Retrospectiva 2021 do mercado de criptomoedas.

O ano da escalabilidade e da imersão digital utilizando blockchain.

Ao compararmos o ranking dos 20 maiores ativos digitais de 2020 com o atual, fica claro o crescimento das soluções de escalabilidade. Estes projetos buscam o aumento da capacidade de processamento das criptomoedas. Afinal, o sucesso das finanças descentralizadas levou as taxas de processamento da rede Ethereum a ultrapassar os 40 dólares de média.

Outra diferença visível é a presença das criptomoedas-meme, aquelas inspiradas em temas que viralizaram nas redes, muitas vezes sem um projeto concreto por trás. De qualquer forma, isso é reflexo de outro tema importante de 2021: a imersão digital através dos jogos, incluindo o metaverso e NFTs.

Curioso para ver quais desses temas vão se manter “quentes”, e o que nossos especialistas apontam de tendências para 2022? Acompanhe abaixo!

Cenário Macroeconômico

  • Bancos Centrais mantiveram taxas de juros próximas de zero, tornando negativo o retorno da renda fixa.
  • Quebra do fundo alavancado Archegos Capital, que apostava na queda das ações, deixa prejuízo de US$ 20 bilhões nos bancos
  • Inflação nos EUA atingiu alta de 6,8% ao ano em novembro, maior nível desde 1982. Na Alemanha o dado foi de 5,2%, o mais alto desde 1992.
  • Custo do frete da China subiu 200% em 2021 com restrições impostas pelos governos, combustível, e menos caminhoneiros trabalhando.
  • Incorporadora imobiliária Chinesa Evergrande entrou em recuperação judicial em dezembro, com dívidas de US$ 300 bilhões.
  • EUA atingiu US$ 5,3 trilhões em pacotes de estímulo desde 2020, enquanto o Federal Reserve comprou US$ 1,4 trilhão de ativos em 2021.
  • Preço do gás para aquecimento na Europa sobe 380% no segundo semestre após Rússia reduzir exportações.

Performance das criptomoedas em 2021

performance-2021 Fonte: TradingView, dados em R$ até 22/Dez

  • Bitcoin (+64%) consagrou-se com o lançamento do ETF, o fundo listado em bolsa nos EUA, além da adoção como moeda oficial em El Salvador.
  • Ethereum (+453%) se beneficiou do crescimento das finanças descentralizadas, cujos depósitos cresceram 300% para US$ 100 bilhões.
  • Cardano (+741%) lançou uma versão preliminar de seu sistema de smart contracts, os contratos digitais auto-executáveis.
  • XRP (+380%) obteve algumas pequenas vitórias no processo em julgamento movido pelo regulador norte-americano SEC.
  • Polkadot (+225%) iniciou os leilões de suas redes paralelas, onde projetos competem por espaço nessa rede que interliga diferentes blockchains.

Investidores buscam proteção no Bitcoin

2021 foi um ano de alta correlação, ou seja, similaridade nas tendências de preço, entre o Bitcoin (laranja) e os títulos de dívida do governo dos EUA (azul).

protecao-bitcoin Fonte: TradingView, dados até 22/Dez

Quando os investidores buscam segurança nesses títulos de dívida, considerados os ativos de mais baixo risco no mercado, as taxas de remuneração caem.

Em contrapartida, quando há uma desconfiança da capacidade dos EUA de manter a economia aquecida, o mercado vende esses títulos e causa uma alta nas taxas. Esses movimentos são usualmente acompanhados por picos no preço do Bitcoin.

Principais notícias do Bitcoin

1: Elon Musk faz post no Twitter sobre Bitcoin (29/Jan)2: Tesla anuncia compra de U$ 1,5 bilhão em BTC (8/Fev)
3: Gigante de finanças Square compra U$ 170 milhões em BTC (23/Fev)4: MicroStrategy compra mais U$ 1 bilhão em BTC (24/Fev)
5: Tesla começa a aceitar pagamentos em BTC (24/Mar)6: Início de negociação das ações da corretora Coinbase na bolsa de valores (13/Abr)
7: Tesla deixa de aceitar pagamentos em BTC citando uso da energia suja do carvão na mineração (12/Mai)8: Bancos da China soltam alerta para riscos do investimento em Bitcoin (18/Mai)
9: Região industrial na China obriga mineradores de cripto a desligarem máquinas (9/Jun)10: Sichuan, maior região mineradora de criptos, decreta proibição da atividade na região (18/Jun)
11: Microstrategy compra mais U$ 489 milhões em BTC (21/Jun)12: Presidente da SEC pede prioridade para regulação do setor (3/Ago)
13: Tesla anuncia venda de US$ 243 milhões em BTC (24/Ago)14: El Salvador adota BTC como moeda oficial, e compra US$ 21 milhões (7/Set)
15: China bane qualquer transação comercial em criptos (24/Set)16: Banco Morgan Stanley compra ações do fundo Grayscale GBTC (28/Set)
17: ETF do Bitcoin via contrato futuro aprovado nos EUA (15/Out)18: Inflação recorde de 6,2% anual nos EUA (10/Nov)
19: Regulador dos EUA rejeita pedido de ETF de BTC físico, alegando falta de controles (12/Nov)20: Gigante de investimentos Fidelity lança ETF de Bitcoin físico no Canadá (3/Dez)

Além do Bitcoin

  • Dogecoin virou “moda” após grupo na rede social Reddit (WallstreetBets) do mercado financeiro tradicional embarcar no meme do cachorro Shiba Inu
  • Artista digital Beeple fez venda recorde de US$ 69 milhões de um registo no blockchain (token não-fungível) NFT em leilão pela tradicional Sotheby's de Londres
  • Facebook mudou nome da empresa para ‘Meta’, refletindo total interesse no Metaverso, a realidade virtual que agrega itens do mundo real
  • Sky Mavis recebe aporte de US$ 150 milhões; empresa é responsável pelo jogo Axie Infinity, que possui sua própria moeda virtual e registro NFT dos “monstrinhos” virtuais utilizado nas batalhas
  • Marketplace de NFT Sorare recebeu aporte US$ 680 milhões, liderado pelo banco japonês Softbank
  • Redes blockchains Solana e Avalanche, ambas com foco na escalabilidade, o aumento da capacidade de processamento, receberam cada aportes superiores a US$ 200 milhões de fundos de investimento
  • Elon Musk afirmou em dezembro que a Tesla iria aceitar Dogecoin na venda de pequenos produtos
  • Secretaria do Tesouro EUA Janet Yellen pede urgência para regular stablecoins, e Congresso realiza uma audiência com a presença dos CEOs das exchanges e emissoras de moedas pareadas em dólares
  • Segmento de tokens não-fungíveis (NFT) vira “moda” após famosos exibirem suas compras nas redes sociais, e negociam recorde de U$ 1 bilhão em apenas 1 semana
  • Com a alta demanda das finanças descentralizadas (DeFi), e taxas de transação acima de US$ 40, a receita do mineradores Ethereum ultrapassou a rede Bitcoin
  • Ethereum adia lançamento da rede 2.0, que abandona mineração tradicional em troca de maior capacidade de processamento e taxas mais baixas
  • Plataformas de interoperabilidade começam a ganhar tração no segmento de finanças descentralizadas (DeFi)

banner_blog-19

Tendências que se confirmaram em 2021

  • Escassez digital: conforme mostra a “informação #2” do nosso relatório de perspectivas de dez/2020, a tese de “ouro digital” do Bitcoin como reserva de valor provou-se verdadeira em 2021.

Até 22/Dez (em dólar): BTC +65%; petróleo WTI +44%; fundos imobiliários EUA (REIT) +39%; S&P500 das ações +25%; ouro -4%.

  • Finanças descentralizadas: “O movimento de DeFi está no começo” foi a expressão utilizada em nosso relatório de 2020. O ano de 2021 marcou o crescimento exponencial dos serviços financeiros, incluindo empréstimos e trocas de criptoativos, além da emissão de ativos sintéticos.

Até 22/Dez (em dólar): valor depositado nos contratos de DeFi saltou de US$ 26 bilhões para US$ 100 bilhões.

  • Aposta no Ethereum: Foram sábias palavras proferidas em nosso relatório no final de 2020: “O movimento de DeFi está no começo. O ETH, enquanto combustível desse ecossistema, é a escolha óbvia como um segundo criptoativo em uma carteira de investimentos.”

Até 22/Dez (em dólar): ETH se consolidou como a segunda maior criptomoeda, performando 388% acima do Bitcoin.

  • Volatilidade: “Oportunidades de entrada sempre surgirão, e você deve estar preparado para aproveitá-las… apesar da volatilidade, o maior risco que existe no mercado cripto é estar de fora dele.”

Até 22/Dez: Quem comprou R$ 400 em Bitcoin e Ethereum no Mercado Bitcoin todo mês em 2021, acumulou R$ 6.370 ante os R$ 4.800 investidos. Isso representa um ganho de 32,7%, ante um prejuízo de 10,3% no índice Bovespa, ou 21,5% nos fundos imobiliários.

ETF: vilão ou herói?

2021 integrou as criptomoedas para o mercado financeiro tradicional com instrumentos listados nas bolsas de valores. O ETF iniciou no Brasil e Canadá, embora já existisse um produto semelhante (ETP) na Europa. Nos EUA, o fundo Grayscale Bitcoin Trust ($GBTC) existe desde 2015, porém não oferece a conversibilidade do ETF.

O serviço não é gratuito, e esses administradores cobram taxas de até 2% ao ano. Além disso, no Brasil, perde-se o benefício da isenção na venda de até R$ 35 mil mensais em criptoativos.

Portanto, há motivos para comemorar o ETF de criptomoedas, porém o usuário merece a liberdade de fazer a própria custódia de suas chaves digitais. Sem o benefício da transparência e independência, muitas das qualidades dessas moedas virtuais se perdem. Ou seja, os riscos de aumento na tributação, e até mesmo confisco, seguem em evidência através do ETF.

Nossas apostas para 2022

Metaverso

2021 foi o ano que validou a tendência de “trabalhar de casa”, ou de qualquer lugar. Com isso, surgiu a necessidade de um “ambiente virtual” para reuniões, colaborações, e até mesmo interação com amigos e familiares.

O metaverso permite que empresas e pessoas criem seus próprios espaços, itens digitais exclusivos, além do comércio de serviços e produtos tradicionais utilizando meios eletrônicos de pagamento, incluindo NFTs e criptomoedas.

Dentre as moedas listadas no Mercado Bitcoin neste segmento, destacamos: The Sandbox (SAND), e Decentraland (MANA).

NFT, o token não-intercambiável

Os registros eletrônicos no blockchain funcionam com um cartório, tornando pública a posse de determinado bem, seja ele físico ou digital. A principal vantagem para seu detentor é a possibilidade de transacionar este registro sem depender de um intermediário.

Embora o primeiro e mais corriqueiro uso dessa tecnologia seja a arte digital, as “cópias certificadas” de imagens, avatares, músicas, e vídeos, o NFT tem se mostrado essencial para a indústria de jogos, e aos poucos avança no mundo real, com o registro de imóveis e qualquer ativo único.

Ou seja, mesmo que o segmento de arte digital “esfrie”, as diferentes aplicações da tecnologia NFT garantem que este segmento vai continuar se desenvolvendo em 2022.

Embora não exista um criptoativo que represente um investimento direto no segmento de NFT, se beneficiam diretamente deste: Solana (SOL), e Decentraland (MANA).

banner_blog-19

Cripto Games, os jogos no blockchain

Cripto Games são jogos que premiam o desempenho em criptomoedas. Para uns, diversão, para outros, oportunidade de lucro. Alguns desses jogos possuem sua própria moeda virtual (Game Tokens), mas que podem ser trocados por dinheiro no mundo real. Por isso, existem até equipes profissionais de competidores, gerando uma fonte de renda para milhares de pessoas.

Dentre as moedas listadas no Mercado Bitcoin neste segmento, destacamos: Yield Guild Games (YGG) e Axie Infinity (AXS).

Finanças descentralizadas (DeFi)

DeFi é a abreviação de Decentralized Finance, ou em português, Finanças Descentralizadas, que busca construir um ecossistema de serviços financeiros sem autoridade central. Estas aplicações são armazenadas dentro de um banco de dados compartilhados (blockchain), lideradas pela rede Ethereum.

A tecnologia DeFi funciona através dos contratos inteligentes (smart contracts), contratos digitais programáveis que permitem executar de forma automática um código previamente definido. Dentre as aplicações mais comuns do DeFi estão os empréstimos utilizando criptoativos como garantia, e corretoras de ativos virtuais (DEX) automatizadas.

Dentre as moedas listadas no Mercado Bitcoin neste segmento, destacamos: Uniswap (UNI), e Balancer (BAL).

Vá além do Bitcoin e Ethereum

As duas maiores criptomoedas devem continuar com boas perspectivas para 2022. O Bitcoin, por exemplo, é focado na tese de reserva de valor, proteção contra inflação, além de meio de pagamento utilizando camadas secundárias.

Já no Ether (ETH), a tese de valorização é de um ativo que lidera a evolução e a transformação. A adoção de Finanças Descentralizadas, NFTs, e contratos programáveis (smart contracts) ocorre primeiramente nesta rede. Portanto, devemos esperar mais novidades surgindo.

O Mercado Bitcoin, apesar de ser a maior exchange de criptomoedas da América Latina no volume em reais (R$), oferece muito além do Bitcoin. Dispomos de opções mais conservadoras, com previsibilidade no retorno, como os Tokens de Consórcio, e o inovador Token da Vila, dos direitos do mecanismo de premiação da FIFA ao Santos.

Conclusão, ou vamos ao preço :)

Nossa previsão para o Bitcoin no final de 2021 ficou bem próxima da realidade, pois os R$ 250 mil estão, até 22/dez, apenas 10% abaixo dos R$ 276 mil.

preco-do-bitcoin

Falamos muito dos sucessos de 2021 e tendências que aguardamos para 2022, porém não mencionamos as decepções. Portanto, para emitir uma previsão de preço para o Bitcoin e Ethereum, é necessário entender que setores desapontaram.

  1. CBDC, a moeda digital dos Bancos Centrais: De fato, não são criptomoedas, por se tratar de um ativo 100% centralizado, que muitas vezes nem utiliza blockchain. No entanto, se os governos levarem tais projetos adiante, isso pode facilitar a adoção das criptomoedas, pois os usuários que buscam a independência, e acima de tudo, um sistema mais transparente e previsível.
  2. Descentralização de tudo: Fracassou (por enquanto) a promessa da Web3.0, onde os usuários passam a ser “donos” de seus dados, e os aplicativos tornam-se independentes das grandes empresas com seus servidores, satélites, e cabos. Com isso desapontaram as criptomoedas que apostaram no armazenamento compartilhado, redes sociais descentralizadas, e processamento gráfico multi-usuário.
  3. "Amazon" aceitar pagamentos em cripto: No velho dilema do ovo-galinha, a adoção de criptomoedas acontece de forma orgânica, com pessoas e empresas percebendo o valor desse sistema sem um coordenador central. Por enquanto, não é medida de sucesso o número de lojas e serviços aceitando pagamento em criptomoedas. De qualquer forma, sinaliza que ainda estamos num patamar inicial de adoção.

Com essas informações em mente, é possível fazer uma previsão para o fechamento de 2022 do Bitcoin próximo de R$ 525 mil, uma alta de 90% frente aos atuais R$ 276 mil em 22/dez. Para o Ethereum, existe o desafio de abandonar a mineração tradicional e entregar uma solução com maior capacidade, o ETH 2.0. Portanto, seu potencial é maior considerando o risco de atrasos na execução, saindo dos atuais R$ 22.500 para R$ 54.000, uma alta de 140%.

banner_blog-19

Fique ligado

Ainda não tem conta?

Participe agora da nova economia digital!

Criar conta

Fique por dentro das novidades

Assine nossa newsletter e receba nosso conteúdo assim que sair.