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Uniswap (UNI) e Yearn Finance (YFI) - para que servem?

13/05/2021

10 minutos de leitura

Uniswap (UNI) e Yearn Finance (YFI) - para que servem?

Em 11 de maio iniciamos a negociação de 7 criptoativos no segmento de Finanças Descentralizadas (DeFi), os aplicativos baseados nos contratos digitais programáveis (smart contracts).

Em suma, são plataformas financeiras que funcionam sem intervenção humana, executadas de forma automática pela rede descentralizada blockchain, o banco de dados das criptomoedas.

Neste universo, que é liderado pela rede Ethereum, da moeda ETH, existem aplicações de empréstimo utilizando criptomoedas, de negociação (exchanges), além de casas de apostas, e mecanismos de seguro para plataformas digitais.

O Mercado Bitcoin, exchange líder em número de clientes no Brasil, explica para que servem e qual o potencial dos criptoativos Uniswap (UNI) e Yearn Finance (YFI).

Acompanhe neste outro artigo mais detalhes sobre Finanças Descentralizadas (DeFi) e sua importância nas criptomoedas.

Uniswap - UNI, a líder das exchanges descentralizadas

Uniswap é uma plataforma de código-fonte aberto onde usuários podem realizar trocas de criptoativos. No entanto, vai além disso, pois é possível realizar depósitos em troca de taxas, uma espécie de dividendos. O aplicativo é 100% pré-programado e roda na rede Ethereum de forma descentralizada.

Exchange significa corretora, no entanto, ao contrário do Mercado Bitcoin, nas exchanges descentralizadas (DEX) só é possível realizar trocas entre ativos digitais, ou seja, não há circulação de valores fiduciários, os reais, dólares, e euros.

O próprio smart contract que rege o sistema se encarrega de informar qual a taxa de conversão. Tão logo o cliente autorize o envio de seus criptoativos, recebe automaticamente a moeda desejada.

Surge então o primeiro problema: a taxa de registro das transações (gas) na rede Ethereum pode facilmente ultrapassar os 10 dólares em dias de grande utilização. Em contrapartida, o usuário não precisa depositar antecipadamente seus criptoativos na exchange.

Cesta de Liquidez, ou “liquidity pools”

Existem diferentes modelos de exchanges descentralizadas (DEX), porém a maioria segue o padrão utilizado pela Uniswap, a cesta de liquidez (liquidity pool). Neste caso, os usuários interessados depositam suas moedas em contratos digitais programados, e estas são oferecidas na exchange seguindo a cotação de mercado.

Em troca desse depósito antecipado, estes usuários recebem uma remuneração, conhecida como staking. A origem destes recursos é a taxa paga pelos usuários da própria exchange, os interessados em realizar as trocas de criptoativos.

Ao contrário da exchange tradicional, não há necessidade de que ambos os usuários tenham interesse em realizar o trade. Essa cesta de liquidez é balanceada de forma automática, absorvendo assim esses trades entre os criptoativos depositados.

O que torna a Uniswap líder no segmento?

A Uniswap é responsável por cerca de 30% de todo o volume das exchanges descentralizadas (DEX), além de contar com cerca de US$ 9 bilhões em criptoativos depositados em seus contratos digitais programados. Seu volume diário negociado oscila entre US$ 1 e 2,6 bilhões, algo comparável às maiores exchanges tradicionais do mundo.

Em constante evolução, a Uniswap lançou em maio de 2021 sua 3ª versão, que possibilita os depositantes (stakers) definirem que faixas de preço desejam participar nas trocas. Desse modo, cada usuário consegue definir a relação de risco e retorno que melhor se adapta.

Mais de 60.000 endereços transacionam diariamente na plataforma. Além disso, a nova versão já está preparada para utilizar soluções de segunda camada, buscando assim uma alternativa para as altas taxas (gas) da rede Ethereum.

Como a Uniswap ganha dinheiro?

Atualmente, não há nenhum lucro para este protocolo descentralizado. Todas as taxas são distribuídas entre os provedores de liquidez da exchange, e não há nenhum benefício para os fundadores do projeto.

No futuro, há planos para direcionar parte das taxas para a equipe desenvolvedora, incentivando assim a contínua manutenção e melhoria do sistema.

Para que serve o criptoativo UNI?

O criptoativo Uniswap (UNI) é um token de governança, que dá direito a voto nas decisões importantes do projeto. Foram emitidos 1 bilhão de tokens, dos quais 60% já foram distribuídos gratuitamente para quem já era usuário da plataforma.

Também é possível receber token UNI ao depositar criptomoedas nas principais cestas de liquidez envolvendo Ethereum (ETH). No entanto, cabe ressaltar que no momento não há uma premiação maior ou benefícios exclusivos para detentores do token.

Com o tempo, isso pode mudar, já que as mudanças na exchange descentralizada são votadas pelos próprios detentores dos tokens UNI. Por esse motivo, há um grande interesse do público em ser dono de parte desse negócio.

Yearn.finance (YFI) - um robô de estratégias

Lançado em julho de 2020, Yearn.finance é a maior plataforma de rendimento automatizado (yield farming) na rede Ethereum. De forma simplificada, é um robô que busca rentabilidade para os depositantes, que pode ser obtida através de empréstimos, ou enviando criptomoedas para outros aplicativos de finanças descentralizadas.

O grande diferencial da Yearn Finance é que os criptoativos são convertidos e agregados em tokens sintéticos, evitando assim os custos de transferência na rede Ethereum. O protocolo busca retorno em projetos externos, incluindo Curve.fi, Aave, Compound, e Dydx. O rebalanceamento é feito de forma automática, buscando sempre maximizar o retorno.

Yearn.finance compete com Uniswap?

Não. O foco da Yearn.finance é o rendimento automatizado (yield farming), que funciona como um comparador de taxas, buscando rentabilidade em outros projetos de finanças descentralizadas.

Praticamente tudo que o Yearn.finance faz poderia ser realizado de forma manual por seus usuários. A desvantagem é o trabalho de comparar os rendimentos em diferentes projetos, além dos altos custos de transação na rede Ethereum. No caso do Yearn.finance, seu depósito entra numa cesta com centenas de outros usuários, diluindo assim as taxas.

O token de governança YFI

O criador do projeto Andre Cronje optou por descentralizar a gestão ao criar o token de governança YFI, que pode ser obtido ao prover liquidez depositando criptoativos. Dessa forma, seu lançamento foi considerado justo, pois todos tiveram a mesma chance de participar.

A própria comunidade optou por limitar o total emitido em 30.000 unidades, prezando pela escassez. Como em quase qualquer votação, a decisão não foi um consenso. Inclusive, alguns apoiadores abandonaram o projeto na época.

Diversas votações já foram realizadas, incluindo a contração de desenvolvedores e lançamento de novos serviços. Além disso, é possível definir taxas para cada um dos serviços oferecidos no Yearn.finance, e estes vão ser distribuídos entre a equipe desenvolvedora e os detentores do token YFI.

Andre Cronje é herói ou vilão?

O Yearn.finance passou por maus momentos no início, especialmente na forte queda (crash) das criptomoedas em março de 2020. Andre Cronje, principal desenvolvedor e idealizador, é certamente uma figura importante, e por isso alguns acreditam que sua eventual saída poderia “matar” o projeto.

No entanto, ao criar um token de governança e contratar desenvolvedores, o Yearn.finance caminha para uma independência, reduzindo assim este risco. Sem dúvidas, o projeto é promissor, com ou sem a presença do fundador.

Existe algum risco de investir no setor?

Sim, são diversos os fatores de risco envolvendo o segmento de finanças descentralizadas (DeFi), especialmente quando se trata de tokens de governança. Para início de conversa, não sabemos que medidas vão ser votadas por estes detentores, nem tampouco como irá ocorrer a remuneração através de taxas.

Em seguida, existe a dificuldade de se auditar estes smart contracts. Constantemente há grupos buscando brechas. Não bastassem as falhas no desenvolvimento, existem pontos de risco fora do controle da aplicação descentralizada, usualmente envolvendo a lentidão no registro de transações na rede.

Outro fator que pode gerar prejuízos é o uso de oráculos, os sistemas automatizados para buscar a cotação de determinado criptoativo em outras plataformas. Um atacante pode momentaneamente forçar o preço em uma direção, criando prejuízos nas cestas de liquidez.

Sem dúvidas, as finanças descentralizadas vieram para ficar. Todo mês, surgem novos projetos. No entanto, não há garantias de que os retornos espetaculares desses projetos vão se manter ao longo do tempo. Estude, comece pequeno e só aumente sua posição quando tiver confiança.

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