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Você sabe como fazer um bom gerenciamento de risco? Veja aqui

09/03/2021

8 minutos de leitura

Você sabe como fazer um bom gerenciamento de risco? Veja aqui

Quem viveu aquele março de 2020 lembra de alguns eventos antes impensáveis. Mesmo quem fez um bom gerenciamento de risco se viu em uma má situação, pois o índice Dow Jones das empresas norte-americanas cedeu 10% no dia, sua maior queda em 34 anos.

No Brasil, o índice de fundos imobiliários (IFIX), tradicionalmente um investimento seguro, cedeu 20% em três dias. Ou seja, quem não soube identificar corretamente o risco de sua carteira de investimentos, provavelmente teve uma ingrata surpresa.

Quantos investidores sabiam que os contratos futuros de petróleo poderiam causar prejuízos maiores do que o próprio aporte? Será que os cotistas do fundo Alaska Black estavam cientes da possibilidade de perder 60% num único mês?

Pois é, gerenciar o risco é diferente de aportar todo o investimento em aplicações consideradas de renda fixa ou equivalente. Pelo contrário, a exposição a diferentes fatores de risco é benéfica para a carteira como um todo.

Por este motivo, o Mercado Bitcoin, a maior exchange de Bitcoin e criptoativos da América latina, reuniu as dicas mais importantes para gerenciar o risco de seus investimentos. Veja como se proteger e minimizar o impacto de surpresas negativas.

A importância do gerenciamento de risco

O investidor, mesmo com uma carteira diversificada, pode sentir-se desconfortável com alguma oscilação normal e vender um ativo no prejuízo. Ou seja, mesmo agindo corretamente ao dividir sua carteira em diferentes níveis de risco, falhou em antever estas movimentações normais de mercado.

Aprenda aqui como diversificar corretamente seu patrimônio, especialmente em períodos de crise.

Neste caso o apetite de risco do investidor não estava alinhado com a volatilidade, a variação normal do ativo. Investimentos em renda fixa, por exemplo, dificilmente vão trazer surpresas. Já os aportes em renda variável, por exemplo, ações de empresas, dólar, e criptomoedas, são imprevisíveis.

Ou seja, um investidor conservador, mesmo aplicando apenas 10% de seu patrimônio em ações da empresa, precisa entender que esta classe de ativos pode ceder 20% no mês. Encerrar posições sempre que ocorrer uma queda mais forte irá resultar em uma única certeza, o prejuízo.

No entanto, são justamente os investimentos de maior risco que geram oportunidades de retorno maiores no longo prazo. A importância do gerenciamento de risco é justamente adequar a alocação dentro de cada classe de ativos, evitando assim as vendas motivadas exclusivamente pelo medo.

Como fazer um bom gerenciamento de risco?

Primeiramente, é preciso entender se você pode absorver quedas em parte da carteira, e sua capacidade de aportar mais recursos de forma regular. Investir em renda variável uma única vez com um objetivo de apenas 2 anos provavelmente é uma estratégia ruim.

Isso porque diversos fatores, como crises internacionais, mudanças regulatórias e tributárias, e até mesmo uma piora na expectativa do mercado, podem gerar grandes perdas neste período.

No entanto, caso esse mesmo investidor seja capaz de realizar novos aportes para aproveitar eventuais quedas, este risco é reduzido de forma significativa, especialmente em períodos mais longos.

Outro fator importante é saber qual o risco de precisar se desfazer da posição numa eventualidade. São várias as razões que podem exigir uma venda rápida da carteira. Nesse caso, é recomendável uma exposição menor em ativos de alta volatilidade.

Ficou confuso? Calma, Carol e Kaká da @usecripto explicam o passo-a-passo do gerenciamento de risco, incluindo criptomoedas, no vídeo abaixo:

Identifique corretamente os riscos

Um erro muito comum é esquecer da potencial desvalorização da moeda local. Mesmo que seus gastos sejam em reais brasileiros, o custo da energia, insumos de saúde e da indústria, além dos alimentos, é sempre pareado em moeda forte.

Outra falha comum ao analisar o risco de um ativo é utilizar uma amostra enviesada, por exemplo, medir a volatilidade apenas dos últimos 60 dias. É possível que os últimos meses tenham traduzido baixa variação, sem muita surpresa nas cotações. Por este motivo, é recomendável analisar um histórico de 4 anos ou mais, procurando sempre as semanas de maior alta ou baixa.

Por fim, o gerenciamento de risco mais complexo é entender o impacto de eventuais “choques” na carteira como um todo. Nesse caso, é necessário imaginar cenários de alta da inflação, depreciação acelerada da moeda brasileira, e até mesmo um aumento de impostos.

Defina seu nível de tolerância ao risco

O Bitcoin está em alta de quase 600% em 12 meses, saindo de R$ 39.400 para os atuais R$ 274.000. No entanto, mesmo com esse ganho incomparável, apresentou semanas de queda de 13%, 15% e até de 34%. Se você não está preparado para esta volatilidade, mesmo sendo uma fatia pequena em sua carteira de investimentos, deve evitar esta classe de ativos.

Em contrapartida, evitar riscos certamente irá resultar em uma carteira rendendo abaixo da inflação, ou seja, reduzindo seu poder de compra. Isso porque a inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu quase 5%, enquanto o CDI, principal indicador das aplicações de renda fixa, ficou com 2,4% de ganho bruto.

Em suma, no atual cenário é impossível obter retornos acima da inflação somente através de instrumentos de baixo risco. Por isso, é importante conhecer seu nível de tolerância ao risco para alocar parte de sua carteira em ativos com maior potencial de retorno.

Caso seu objetivo seja atingir a tão sonhada independência financeira, este outro artigo explica como planejar, criar uma reserva de emergência, além das aplicações mais rentáveis.

Acompanhe as movimentações, mas estabeleça estratégias

Além de falhar em identificar os riscos, é comum ver investidores reagindo a notícias de mercado de forma impulsiva. Se o horizonte da carteira é de 4 ou mais anos, é muito improvável que um único acontecimento seja capaz de destruir a tese do investimento.

Por exemplo, as ações da Petrobras cederam 47% em duas semanas após o colapso do contrato futuro do petróleo em março de 2020. No caso, não havia sequer mais navios ou tanques suficientes para estocar petróleo na região do Texas nos EUA.

Ao perceber que o problema era pontual, as ações subiram 40% nas três semanas seguintes. Ou seja, o investidor que mudou sua estratégia por conta da notícia vendeu na baixa, amargando um prejuízo.

Em contrapartida, quem manteve seu horizonte de anos, ao invés de semanas, compreendeu que não houve uma mudança nos fundamentos da empresa. Nesse sentido, estabelecer estratégias é mais importante do que simplesmente acompanhar as movimentações.

Tome decisões adequadas ao seu perfil de risco

É tentador acompanhar gurus de investimento, ou até mesmo gestores com décadas de sucesso nos mercados. No entanto, a capacidade de realizar aportes regulares, e até mesmo apetite de risco destes poupadores, é diferente da sua.

Desse modo, existem profissionais dedicados para analisar as necessidades individuais de cada investidor. Conhecidos como gestores de patrimônio ou planejador financeiro, possuem certificado de CFP®, Certified Financial Planner.

Cabe lembrar que alguns desses profissionais são vinculados a instituições financeiras, por isso recebem incentivos na oferta de determinados produtos. Existem, entretanto, empresas e agentes independentes realizando este serviço de forma independente.

Em resumo, evite seguir dicas de traders famosos ou celebridades do youtube, pois apesar de potencialmente interessantes e corretas, nem sempre estão de acordo com suas necessidades.

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